Impactos da instabilidade política no Brasil
Enviada em 21/09/2020
No período conhecido como Antiguidade Clássica, na Grécia Antiga, a política era considerada, entre muitos, a mais plena virtude do homem. Contudo, tem-se que, na contemporaneidade, a lógica grega não se aplica, visto que, com o desenvolvimento intelectual do homem, a política tornou-se cada vez mais complexa e, nesse viés, também mais instável. Assim, há a configuração de uma conjuntura capaz de resultar em uma crise econômica e uma descrença popular na política.
Inicialmente, é válido ressaltar a questão do prejuízo no mercado nacional no que tange a queda dos investimentos estrangeiros. Nesse sentido, no desenho japonês “Magi”, Sinbad, chefe administrativo de uma ilha, por ser um líder que promove coesão entre as instâncias públicas, fortifica e gera prosperidade econômica ao seu país. Analogamente à realidade, sabe-se que o mesmo não ocorre, de modo que o Estado, pela instabilidade entre seus poderes constituintes, viabiliza uma crise econômica decorrente da redução do capital externo o que, consequentemente, é repassado às camadas mais pobres da sociedade – aumento dos impostos. Desse modo, para balancear os cofres públicos há o crescimento da inflação que resulta na anomia social.
Além disso, é importante mencionar o crescimento da descrença popular quanto à política brasileira atual. Isto é, de acordo com Aristóteles, “o homem é um animal político”. Nessa perspectiva, a participação política é inerente, segundo o filósofo, à existência humana, mas não se faz presente na atualidade, uma vez que as instituições governamentais, frente aos desacordos e às crises políticas, descredibilizam a importância da presença social nas questões públicas do país – escândalos de corrupção, por exemplo. Logo, há uma inadimplência constitucional no que diz respeito ao exercício da cidadania, prejudicando o pleno funcionamento da sociedade.
Portanto, é imprescindível que medidas sejam tomadas para a dissolução da conjuntura ligada à instabilidade política brasileira. Para tal, o Supremo Tribunal Federal (STF) deve, por meio de reuniões com os representantes do Executivo e do Legislativo, promover acordos políticos para uma melhor administração dos recursos e dos órgãos públicos, a fim de atenuar os desacordos organizacionais do país. Esses acordos teriam ordem política, segundo a qual visariam encontrar, em última análise, as melhores decisões para o Brasil, garantindo, no âmbito econômico, a entrada do capital externo e, no social, a crença popular nos representantes públicos. Somente assim o pensamento de Aristóteles se tornaria vigente na hodierna sociedade brasileira.