Impactos da pandemia no sistema carcerário brasileiro

Enviada em 23/10/2020

O filme “Um Sonho De liberdade”, durante a década de 90, retratou uma realidade que muito se assemelha com a do sistema penitenciário brasileiro: prisões cheias de pessoas esquecidas pelas sociedade,  sofrendo pelo descaso e desumanização da instituição penitenciária. Com a crise do coronavírus, o descaso e encarceramento em massa tem afetado mais a vida dos presos.

Primeiramente, é importante notar que a população carcerária no Brasil é imensa, de acordo com levantamento de Ministério da Justiça, há cerca de 800 mil presos no país que ocupam 173% dos espaços disponíveis nos presídios. Tendo mais detentos do que lugar para coloca-los, torna-se fácil a transmissão em massa de Covid-19, já que o vírus transita pelo ar, podendo resultar em sequelas ou até mesmo a morte por conta da infecção para muitos presidiários no Brasil.

Entretanto, o problema não afeta apenas em um sentido individual. A infecção em massa nos presídios pode ocasionar na sobrecarga do sistema de saúde das prisões, tendo em vista que as prisões não são estruturadas nem para lidar com o encarceramento em massa, tampouco com a maior crise sanitária do século até então. O resultado é simples e objetivo: não apenas mortes decorridas da pandemia, mas também pela falta de leitos disponíveis em casos de acidentes, casos de violência e outras doenças tão presentes nas prisões do Brasil.

Destarte, é visível a falta de estrutura das prisões brasileiras para lidar com a pandemia, sendo então papel do Governo Federal através do Ministério da Saúde construir hospitais de campanha destinados aos presidiários brasileiros, buscando à curto prazo rastrear os possíveis casos e futuramente evitar um colapso no sistema de saúde presidiário, além de não possibilitar os outros detentos de serem infectados, dando aos presos o mínimo de dignidade ao combater esse problema que afeta todo o Brasil