Impactos da pandemia no sistema carcerário brasileiro
Enviada em 28/10/2020
O coronavírus possui alto poder de disseminação, ainda que sua mortalidade não seja tão elevada quanto o da peste negra, que também provocou uma pandemia, esse vírus acarretou mortes em vários países, incluindo o Brasil. Diante desse fato, as penitenciárias que já detinham diversos impasses a serem enfrentados e solucionados obtiveram um novo agravante: a COVID-19. Dessa maneira, as causas de as prisões brasileiras terem suas dificuldades agravadas pela pandemia se devem à superlotação e à restrição das visitas aos encarcerados.
A priori, cabe relatar que os cárceres, antes do novo vírus se disseminar no país, já eram superlotados, como é mostrado no documentário “Por dentro das prisões mais severas do mundo”, em que uma cadeia situada no Norte do país possui vários prisioneiros dentro de lugares extremamente pequenos, retratando não somente a realidade desse lugar como a de diversos presídios. Sob essa perspectiva, tal documentário relata também a falta de higiene, o que propicia a disseminação do Sars-Cov-2, pois uma das formas de se prevenir é lavar as mãos e passar álcool. Logo, a conjuntura atual fez as mortes causadas por esse vírus aumentar entre os presos mais do que entre as pessoas livres, pois o combate ao vírus tem sido a quarentena, o que não é possível de realizar nas penitenciárias devido à falta de espaço para isolar cada um dos aprisionados, por conseguinte os traumas desenvolvidos nesse período podem dificultar a reinserção deles na sociedade.
Em segunda análise, como a série “Distanciamento social” apresenta a cada episódio uma família diferente, uma das possíveis releituras para esse formato é o caráter universal dos impactos dessa crise sanitária nas pessoas, pois causa sentimentos como medo, ansiedade, preocupações, entre outros. Em vista disso, os presidiários, além dos impasses emocionais e distanciamento dos familiares, possuem um agravante: o alimento recebido das visitas que, no momento, foram suspensas. Com isso, os detentos têm que enfrentar não somente o afastamento dos parentes, como também as dificuldades com relação a alimentação, mesmo que o envio esteja sendo feito pelos correios, isso não substitui a entrega pessoalmente, com a comida preparada mais recentemente e com maior qualidade.
Portanto, é essencial medidas que atenuem a problemática vigente. Nesse contexto, as Organizações Não Governamentais (ONGs) devem reunir alimentos e produtos de higiene contendo, sobretudo, álcool e sabonete para enviá-los aos presídios, sendo essa entrega feita no mesmo dia do recebimento, a fim de averiguar que eles os recebam de fato, além de assegurar a qualidade da recepção. Assim, se implantadas tais medidas, a pandemia será vivenciada e enfrentada com menos obstáculos nos presídios.