Impactos da pandemia no sistema carcerário brasileiro
Enviada em 26/10/2020
“Abandono, miséria, ódio e sofrimento, desprezo, desilusão, ação do tempo”. Na música “Diário de Um Detento”, escrita em 1997 pelo grupo de RAP Racionais Mc’s, é destacado o descaso com que é tratada a população carcerária do Brasil. Mas de lá pra cá a situação não mudou, e o novo coronavírus deixou isso mais claro do que nunca, pois os presos brasileiros foram uma das parcelas mais afetadas pela pandemia no Brasil devido às péssimas condições do sistema penitenciário brasileiro, que sofre principalmente com a superlotação e com a falta de saneamento básico.
Segundo um dado levantado pelo IBGE no final dos anos 2000, o número de presos no Brasil crescia mais rápido até mesmo do que a população total, e hoje o número de presos no Brasil é o terceiro maior do mundo, e a superpopulação carcerária chega a 300%, o que agrava exponencialmente os efeitos da COVID-19, pois aglomerações são um dos cenários mais propensos ao contágio do vírus, motivo que levou a OMS (Organização Mundial de Saúde) a indicar a proibição de eventos tais quais shows, jogos de esportes e fechamento de bares e restaurantes.
Desde o início da pandemia do novo coronavírus, a OMS fez uma campanha intensa para os cuidados com a higiene e de como esses atos são importantes para conter a alastração do vírus. Atos como lavar sempre as mãos e a utilização de álcool em gel para higienizar alimentos e compras ficaram presentes no cotidiano da população brasileira, mas o mesmo não pôde se aplicar a população carcerária, onde os dententos são obrigados a racionar água e têm uma alimentação extremamente precária, segundo especialistas da Fundação Oswaldo Cruz
Portanto, é claro que a falta de saneamento básico e a superlotação são cruciais para os impactos da pandemia no sistema carcerário brasileiro. É necessário que o Ministério Da Saúde, e o governo federal exerçam os direitos humanos e invistam na melhoria das condições das prisões para acabar com o problema de saneamento básico, construa mais prisões e melhore seu sistema de reabilitação para reverter a superlotação.