Impactos da pandemia no sistema carcerário brasileiro
Enviada em 25/11/2020
Pandemia e presídios
O Governo Militar, que se iniciou no ano de 1964, marcou a história por perseguir e prender opositores políticos. Naquele cenário, como as condições prisionais não eram discutidas, a oposição ao governo e os criminosos comuns dividiam o mesmo espaço, e desse contato surgiram as ideias que deram origem às maiores facções criminosas do país. Hodiernamente, um problema externo ao sistema carcerário, o novo coronavírus, projeta seus impactos para dentro das grades, e assim como no passado, o descaso das autoridades pode custar para à sociedade como um todo. Nesse contexto, cabe buscar o entendimento de quais são os efeitos da pandemia dentro das cadeias e como ela representa uma acentuação de um problemática que já existia anteriormente.
É importante, primeiramente, perceber que a pandemia do novo coronavírus precariza ainda mais o sistema carcerário brasileiro. Nesse sentido, um levantamento recente realizado no presidio Sorocaba II revela que 30% dos presos foram infectados com o vírus. Isso demonstra como a doença consegue se espalhar facilmente nesse ambiente marcado pelo pouco acesso à higiene e tratamentos médicos, superlotação e infraestruturas incapazes de garantir o mínimo de dignidade aos presos. E com o crescente número de presidiários doentes e isolados de sua família o quadro tende a piorar.
Vale, ademais, ressaltar que o coronavírus agrava a situação que anterior a ele já existia e, por si só, já era bastante grave por encontrar na cultura um suporte para o descaso com os encarcerados. Nesse viés, o ditado popular “bandido bom é bandido morto” demonstra como parte menos moderada da sociedade enxerga os presos. Baseado nessa frase é possível inferir que a população não compreende a necessidade de um sistema carcerário justo e digno para a edificação da sociedade como um todo e, por isso, é necessário que debates sejam propostos para mudar esses paradigmas.
É possível, finalmente, depreender que a pandemia impacta o sistema carcerário ao piorar os problemas estruturais e sociais que envolvem essa problemática que existe bem antes da chegada do vírus. Por isso, cabe à mídia, em associação com o ministério da educação, a veiculação e o desenvolvimento de campanhas de medidas persuasivas por meio de palestras e representações artísticas com o objetivo de atingir o grande público e conscientizá-los a respeito da importância de um sistema carcerário justo. Dessa forma, seria possível superar a questão.