Impactos da pandemia no sistema carcerário brasileiro

Enviada em 28/10/2020

Historicamente, o ano de 2020 foi afetado por um novo tipo de vírus que surgiu no cenário global, o Coronavírus (Covid-19) o qual impactou as relações de trabalho, estudo e serviço em todo mundo. Desse modo, a quietude no mercado internacional foi avassaladora, visto que o isolamento social, necessário para diminuir o contágio e disseminação da doença, foi responsável pela queda na movimentação de capital no mundo. No entanto, a área menos comentada porém mais esquecida, no período da pandemia, foi o sistema carcerário brasileiro pois o governo não promove o monitoramento das atividades no interior desses locais o que reflete na realidade desumana dos presídios.

Nesse ínterim, foi realizado pelo filósofo Michel Foulcault o estudo das relações de poder a partir das diversas instituições como escola, igreja, hospitais e presídios. De acordo com o pensador esses órgãos são nomeados “Instituições de Sequestro” que retiram os indivíduos do espaço familiar ou social mais amplo e os internam/prendem a fim de moldar suas condutas, disciplinar seus comportamentos e formatar o que pensam. Logo, o exercício do poder do Estado ao ausentar-se das responsabilidades como de informar aos familiares a situação da doença no interior do sistema carcerário e aplicar as medidas corretas de prevenção, reflete na aspiração mais sobressalente do governo que é a manutenção das estruturas desiguais e repressivas de controle social.

Outrossim, outros tentáculos da manutenção do poder que ocorrem atualmente são as notícias veiculadas pelas mídias sociais. Esse processo, exposto no documentário “O Dilema das Redes” da Netflix, retratou como o uso abusivo dos celulares, computadores e televisões afetam a capacidade de procurar a verdade é até mesmo no exercício da democracia. Isso ocorre devido a cultura do imediatismo que estimula o conhecimento superficial e a bipolarização das ideias. Assim, o avanço do poder das redes sociais, cerceadas pelo governo, estimulam o caos social e político no mundo pois promovem o avanço do discurso de ódio e da fragmentação do indivíduo, ao obrigá-lo a aprender e concordar com apenas um âmbito dessa estrutura complexa.

Afinal, o governo do Estado Federal unido a Organização Mundial da Saúde (OMS) deve intervir na administração brasileira do sistema carcerário com o envio de profissionais da saúde e da área social a fim de analisar os problemas da falta de informação e descaso dessa área pelo Brasil. Para isso esses agentes devem enviar relatórios para a OMS e aplicar multas ao governo de acordo com a necessidade verificada nos locais visitados. Somente assim ocorrerá a efetiva modificação das estruturas invisíveis de poder que permitirão aos indivíduos visualizarem e desprenderem-se das amarras desse processo, além de tornarem-se completos social e culturalmente.