Impactos da pandemia no sistema carcerário brasileiro
Enviada em 06/11/2020
O Brasil tem a terceira maior população carcerária do mundo, ficando atrás apenas dos EUA e da China, e é o segundo país com a maior quantidade de casos de Covid-19, atualmente 3.5 milhões de infectados. Esses fatores se misturam perigosamente dentro das prisões brasileiras, que causou crises de saúde - já presentes com a higiene básica precária dentro desses estabelecimentos - e aumento da solidão dos presidiários, pela proibição de visitas. Logo, remediar tal problemática é imprescindível.
No filme sul coreano “Train to Busan” (Trem Para Busan), um longa que conta a história de um vírus que se espalha pela Coreia do Sul, transformando todos em zumbis, enquanto o protagonista e sua filha estão em um trem para outra cidade. No transporte, a situação se escala e muitas pessoas são contaminadas, o que faz os sobreviventes lutarem para se isolar dos outros, ainda dentro do trem em movimento, e qualquer contato com alguém contaminado pode ser o fim. Enquanto esse filme relata uma ficção, a história é muito parecida com o que está acontecendo atualmente, especialmente dentro dos presídios. Segundo o Departamento Penitenciário Nacional (DEPEN), mais de 17.300 presos estão contaminados pelo vírus, 2,3% da porcentagem total dos detentos. Essas infecções se dão por dois motivos evidentes, a higiene precária das penitenciárias, e a inda e vinda dos funcionários que levam cada vez mais o vírus, não só pois estão contaminados, mas também em suas roupas e calçados, o que leva a atenção mais uma vez à higiene desses locais.
Ademais, a solidão é outro problema na vida dos detentos. Com as visitas suspensas desde março, os prisioneiros enfrentam uma grande onda de solitude por não poder ver os familiares e amigos. Destarte, podendo desenvolver problemas psicológicos e emocionais, como depressão, tanto pelo estresse dos sintomas causados pelo vírus, em si ou em pessoas próximas, quanto pela saudade de seus entes queridos. Além de que, de acordo com a matéria realizada pelo site UOL, esses familiares geralmente são responsáveis por fornecer alimentos e produtos de higiene à essas pessoas. Portanto, fica claro a necessidade de intervenção imediata.
Posto isso, são necessárias medidas capazes de mitigar essa problemática. Para tanto, é necessário que o governo e os diretores dos presídios imponham as normas de higiene todos os dias, tanto por todo o presídio quanto para as pessoas que vêm de fora, através de regras, para combater a chegada e a propagação do vírus no local. Também, é indispensável que, novamente, o governo disponibilize computadores e organize horários para que os detentos consigam falar com seus familiares algumas vezes na semana, por chamadas de vídeo, na finalidade de amenizar o sentimento de solidão. Tais medidas visam o bem estar e a garantia dos direitos humanos nessas instalações.