Impactos da pandemia no sistema carcerário brasileiro
Enviada em 19/11/2020
Muitos não conhecem a realidade do que é o sistema carcerário brasileiro, e provavelmente nunca vão conhecer. Uma pessoa que não possui um conhecido ou ente querido que esteja atrás das grades, nem imagina o que centenas de milhares de pessoas - na sua maioria negros e pobres - passam lá dentro, todos os dias.
No fim de fevereiro de 2020, o Brasil registrou o primeiro caso de Coronavírus, que rapidamente se alastrou pelo país chegando a ter mais de mil mortes pelo Covid-19 em um só dia. A regra do isolamento social também foi obrigatório em relação às visitas nos presídios, fazendo com que os detentos ficassem ainda mais distantes dos seus familiares.
A saúde e o atendimento médico nas prisões brasileiras já eram um problema antes mesmo da pandemia; problema esse que se agrava, quando uma das indicações para não contrair o vírus é o distanciamento social, mas há superpopulações carcerárias em celas que “acomodam” três vezes mais presos do que o ideal para aquele espaço.
É notório o tamanho descaso para com a segurança de pessoas que estão a margem da sociedade. No sistema penitenciário feminino, muitas mulheres não tem nem acesso a absorventes descartáveis no período menstrual, logo, imagina-se que a maioria dos presidiários - se não todos em algumas cidades - não fizeram os testes de Covid, e os que não estavam infectados tornam-se vulneráveis a contrair o vírus.