Impactos da pandemia no sistema carcerário brasileiro
Enviada em 25/11/2020
O sistema carcerário do Brasil é constantemente compara com uma “bomba relógio” prestes a explodir. Principalmente por causa da sua superlotação e falta de higiene, junto com o cenário atual do país, no qual combatemos um “inimigo invisível”. É evidente que que caso não fosse feito algo sobre esses presídios, tanto os presos quanto os servidores estariam correndo altos riscos. E toda essa situação não ocorre apenas pela crise do país, mas principalmente pela incapacidade do sistema de controlar essas áreas.
No entanto, tudo piora quando juntamos a situação dos parentes dos detentos ao problema. Famílias que tem o contato extremamente reduzido e ficam com poucas ou falsas informações do que ocorre dentro do presídio, tornando a situação mais desesperadora. Esse problema é ressaltado por Sol (nome fictício), onde relata sobre uma das poucas cartas de seu filho desde abril, alegando estar preso com outros 42 detentos em uma cela, a maioria com fortes sintomas da doença e nem se quer um atendimento da enfermaria no local. Na música ILUSÃO “CRACOLÂNDIA” do Mc Hariel, é citado em diversas vezes sobre o papel da família em relação a vida do detento. Porém isso fica extremamente evidente quando é cantado “Imagina o mundão mil grau e você aí privado falando com seus parentes através de carta” sustentando também o argumento sobre a falta de comunicação dos presos com suas famílias.
Contudo, outro problema que ficou evidente após tantos meses de pandemia é a falta de informação, sabemos que apenas 7,8% de todos os presos foram testados no país, tendo 2,3% desse total infectado, segundo o Departamento Penitenciário Nacional (Depen). Números realmente preocupantes levando em consideração o atual momento do país, fora as estatísticas que são omitidas pelo próprio sistema, assim como foi ressaltado por Sol (nome fictício). De acordo com o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, “Brincar com a morte é perverso” criticando o sistema de saúde pela má divulgação de dados sobre as estatísticas do Covid-19.
Sendo assim, a solução deve ser feita por meio de uma parceria do Departamento Penitenciário Nacional (Depen) e Ministério da Saúde, na busca de resolver os problemas de higiene e problemas carcerários junto com falta de informação tanto de familiares quanto das estáticas. Essa atitude garantiria um grau maior de segurança dos presos e dos carcerários que também são afetados no todo. Seria necessária uma rígida reestruturação do sistema das penitenciárias, diminuição de detentos por celas, melhores materiais de higiene e uma mudança no sistema dos carcereiros, que são o bote expiatório da doença em diversas vezes, isso tudo, para que a bomba não exploda.