Impactos da pandemia no sistema carcerário brasileiro

Enviada em 25/11/2020

A série “Irmandade” mostra a realidade em uma prisão no Brasil, evidenciando a precariedade do lugar, falta de cuidados com os detentos, corrupção e violência, tudo isso antes do vírus se instalar na sociedade. Fora da ficção, sabe-se que as prisões são altamente negligenciadas pelo governo e, por causa da pandemia causada pelo coronavírus em 2020, o sistema carcerário brasileiro sofreu diversos impactos negativos. Sob esse viés, pode-se separar esses impactos em dois grupos, sendo o primeiro relacionado ao vírus dentro da cadeia e o segundo, aos problemas econômicos no país e seus impactos no sistema prisional.

Primeiramente, durante a segunda guerra mundial, foram criados pelos nazistas os chamados campos de concentração, locais destinados ao assassinato de milhões de judeus, negros, deficientes, ciganos, entre outros. Com a falta de um sistema de distanciamento e cuidados com o Covid nas celas, a contaminação dentro das prisões acontece de forma rápida, incontrolável e massiva, deixando a vida de milhares de detentos em risco. Desta forma, as cadeias se tornaram locais análogos aos campos de concentração, visto que, ao mandar pessoas para lá, estariam expondo-as a um vírus mortal, ferindo seus direitos humanos e sentenciando-as a morte.

Em segundo lugar, a pandemia causou um aumento enorme no preço de comidas e serviços, sendo responsável pelo aumento do preço que deve ser direcionado para manter o sistema carcerário em funcionamento. Deste modo, a quantidade de água, comida, materiais de higiene e roupas não chegam na quantidade que deveriam, deixando as cadeias cada vez mais abandonadas e, por consequência, violentas e instáveis. Isso ocorre pois, sem uma infraestrutura ideal e atenção necessária aos detentos, esses lugares não cumprem seu papel de reinserção dessas pessoas na sociedade, tornando-se apenas um ambiente de tortura e privação de prazeres.

Torna-se evidente, portanto, que o problema é grave e não pode ser ignorado. Além de investir mais verba para garantir as necessidades dos prisioneiros, o governo também deve, por meio desses investimentos, construir celas especiais para detentos com o vírus e distribuir materiais de higiene e segurança. Isso pode ser feito, por exemplo, ao colocar potes de álcool em gel em pontos estratégicos dentro da prisão, assim como pela disponibilidade de máscaras, com a finalidade de evitar a contaminação dentro das cadeias. Com essa medida, que não exclui outras, espera-se que o sistema carcerário não continue tão impactado pela pandemia e, que a vida das pessoas detidas possa se tornar mais digna.