Impactos da pandemia no sistema carcerário brasileiro

Enviada em 26/11/2020

A série “Orange is the New Black” mostra as diversas dificuldades enfrentadas pela população de um presídio feminino. Entretanto, a pandemia do novo corona vírus evidenciou os problemas sanitários do sistema carcerário brasileiro, de modo que a superlotação e a grande quantidade de pessoas infectadas com HIV tornam os presos mais vulneráveis à covid-19.

Em primeiro lugar, é importante lembrar que o corona vírus é transmitido de maneira direta, ou seja, de pessoa para pessoa, através do contato com a saliva ou secreções nasais de alguém contaminado. Assim, faz-se necessário evitar aglomerações com o isolamento social, principal medida de prevenção da doença, mas a superlotação dos presídios impede a implantação dessa medida. De acordo com o Uol Notícias, as cadeias brasileiras chegam a suportar 300% de sua capacidade, e a presença de muitos indivíduos em um espaço pequeno e fechado auxilia na circulação do vírus.

Além disso, há um alto número de presidiários infectados com o HIV, que ataca células do sistema imunológico e torna a pessoa mais suscetível a desenvolver formas graves de outras doenças, como o corona. Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 15% da população carcerária brasileira possui o vírus HIV, uma das maiores taxas do mundo. Logo, essas pessoas, ao contraírem a covid-19, podem ir a óbito ou ter maior dificuldade para se recuperar.

Portanto, fica evidente a necessidade de medidas para combater o corona vírus nos presídios. Para isso, cabe ao Governo, pelo Ministério da Saúde, oferecer maiores cuidados médicos nas cadeias, com a construção de unidades de pronto atendimento próximas às penitenciárias, além de contratar equipes de doutores para cuidar dos presos e orientá-los na prevenção de doenças, a fim de reduzir a circulação do covid-19 e outras patologias entre a população carcerária. Só assim o sistema prisional brasileiro se afastará da realidade mostrada em “Orange is the New Black”.