Impactos da pandemia no sistema carcerário brasileiro

Enviada em 05/04/2021

O sistema carcerário brasileiro já é de natureza precária, com condições não ideais de alimentação, higiene e, é claro, os inúmeros casos de superlotação que apenas prejudicam a convivência entre os presidiários e os submetem a uma realidade menor ao ideal. E com tantas vidas previamente dificultadas pelo pouco oferecido, a pandemia do Covid-19 veio como mais um empecilho e uma nova preocupação aos que vivem sob tais situações, pois são escancarados ao vírus sem opções e de formas quase cruéis aos olhos daqueles que os zelam pelo outro lado da cela.

Os números já são pouco conhecidos e ainda menos discutidos, refletindo a falta de atenção ao assunto, mas os que chegam ao público não deixam de ser questionados. Até setembro de 2020, apenas cerca de 70 mil pessoas relacionadas a comunidade carcerária (entre elas presos de ambos os sexos e também servidores) haviam sido testadas para o novo coronavírus, confirmando quase 20 mil contaminadas e 105 mortes, de acordo com dados do Depen (Departamento Penitenciário Nacional). Entretanto, é clara a desproporcionalidade com o quadro real, dado que somente a população de presos no país soma quase 800 mil, além dos servidores e outros associados ao sistema. Isso mostra a fragilidade do serviço que deve ir contra ao impacto sobre essas vidas, já que não há uma preparação de cuidado e proteção.

A falta de precisão nos dados e pouca conferência ao real são contribuintes para a angústia dos envolvidos, privados de seu pouco contato ao mundo externo provido por seus familiares que também sofrem com a precariedade do sistema carcerário, temendo pela saúde de seus entes. O vírus é de fácil disseminação entre os detentos, deve haver maior atenção pelos responsáveis do sistema, discussões reais que proponham leis em favor da população detenta, que cuidem de tantas vidas sob uma pandemia mas também para a saúde básica e suas condições diárias, através do controle da superlotação em celas, estrutura aprimorada e atenção para os que apresentem sintomas.