Impactos da pandemia no sistema carcerário brasileiro
Enviada em 04/05/2021
No livro “Crime e castigo”, de Fiódor Dostoiévski, o protagonista Raskólnikov é preso após cometer um crime. Na prisão, são retratadas as péssimas condições do local, como a falta de higiene e o descaso com a saúde dos detentos. Na sociedade contemporânea brasileira, o sistema carcerário sofre com a superlotação e com as mesmas circunstâncias precárias presentes no livro de Dostoiévski, que agravam a propagação da covid-19. Esse cenário é causado pela não priorização do bem-estar dos presos por parte dos governantes e pelo caráter punitivo das penitenciárias brasileiras, que permitem a rápida proliferação do vírus e o aumento de mortes.
Primeiramente, os impactos negativos causados pela pandemia de coronavírus nas prisões brasileiras são fruto da falta de ações voltadas a tal área e do caráter punitivo desses locais. Segundo o sociólogo Anthony Giddens, as pessoas, por não terem contato com certas realidades e condições, não se mobilizam para melhorá-las, visto que estas não têm impacto em suas vidas. Nesse cenário, os governantes, ao não experienciarem a realidade carcerária, não sofrem com tais circunstâncias precárias vivenciadas diariamente pelos detentos. Desse modo, não tomam atitudes para otimizá-las, permitindo a manutenção destas e, consequentemente, dos impactos pandêmicos.
Em segundo lugar, as prisões brasileiras apresentam caráter punitivo, onde o principal objetivo é punir os presos. Dessa forma, pensamentos como o de que os detentos “merecem o tratamento horrível que recebem” são amplamente disseminados na sociedade, servindo como justificativa para a estagnação de políticas públicas que visem a melhora de tal esfera. Nesta conjuntura, graças ao caráter apresentado pelas penitenciárias, não ocorre a otimização das condições precárias enfrentadas pelos detentos, de modo que estas persistem, assim como as doenças (entre elas, a covid-19).
Portanto, é visível que os impactos da pandemia do coronavírus nas prisões brasileiras têm âmbito estrutural social, por conta de ideais há muito tempo embutidos na sociedade. Visando a sua redução, assim como melhores condições de vida e dignidade aos detentos, é necessário que a esfera federal do governo brasileiro realize maiores investimentos em tal área, construindo mais prisões para diminuir a superlotação e, consequentemente, a proliferação do vírus. Além disso, é imprescindível que o governo disponibilize mais médicos e remédios às penitenciárias, para que o tratamento dos presos seja efetivo e os impactos pandêmicos, assim, se façam menos presentes na população carcerária.