Impactos da pandemia no sistema carcerário brasileiro
Enviada em 19/05/2021
Com mais de 700 mil pessoas o sistema carcerário brasileiro é o terceiro maior do mundo e já enfrenta diversos problemas. Portanto, um evento de grande magnitude, como uma pandemia, tende a agravar esse quadro. Dessa forma, os impactos dessa crise sanitária se manifestam principalmente pelos altos índices de contaminação, assim como pelo isolamento, afetivo e social, dos detentos.
Em primeiro plano, não há como ignorar a superlotação das celas nos presídios e sua relação com a propagação do vírus. Como o Covid-19, enquanto variante da SARS (síndrome respiratória aguda grave), é transmitido pela via aérea o contato e a proximidade com outras pessoas geram o meio ideal para o contagio. Logo, o déficit de vagas no sistema carcerário impacta diretamente na contaminação de milhares de brasileiros, devido as condições insalubres das celas.
Em segunda análise, cabe relembrar que o isolamento contribui para o adoecimento dos detentos. Visto que as visitas de familiares foram restringidas, em decorrência da pandemia, muitas pessoas perderam o apoio, tanto material quanto afetivo, com os quais contavam. Tal fenômeno junto realidade violenta vivida nas prisões, como e retratada na canção “Diário de um detento” dos Racionais MC’s, agrava casos de depressão e estresse pós traumático entre os presidiários.
Assim, é possível concluir que os impactos da pandemia no sistema carcerário atingem essa população em diversos âmbitos, como na saúde física e mental. Para atenuar essas consequências cabe ao Estado intervir aumentando o número de prisões, para sanar a superlotação, e oferecer tratamento de terapeutas e psiquiatras para tratar doenças e transtornos que podem vir a acometer os detentos. Dessa maneira, o sistema carcerário caminhará para uma realidade menos pavorosa.