Impactos da pandemia no sistema carcerário brasileiro

Enviada em 19/05/2021

No livro “1984”, do escritor George Orwell, vê-se no personagem principal uma postura alienada perante os entraves existentes na sociedade. No entanto essa ausência de senso crítico não se restringe a uma obra distópica, já que, na realidade, alguns segmentos políticos e sociais não têm compreendido efetivamente a gravidade, por exemplo, dos impactos da pandemia no sistema carcerário brasileiro. Nesse sentido, é preciso analisar essa questão no país.

Primeiramente, nota-se que o Poder Público se mostra negligente ao permitir esses impactos. Isso porque há uma falha no processo de fiscalização, uma vez que falta inspecionar com mais rigor o fluxo de novos detentos portadores do vírus, o que faz gerar novos casos de covid-19 nas cadeias. Posto isso, percebe-se que o governo não tem assegurado o bem-estar de todos os cidadãos. Dessa forma, ocorre a ruptura do contrato-social teorizado pelo filósofo Thomas Hobbes

Ainda, pontua-se que a ausência de engajamento coletivo para se alcançar, realmente, uma sociedade sem esses impactos. Como prova, verifica-se a inércia de parte da população em não lutar por investimento financeiro estatal, posto que faltam verbas para atendimentos médicos aos presos diagnosticados com o vírus da covid-19, comprometendo assim o direito a saúde dos detentos. Para explicar esse cenário, observa-se que, em virtude do pessimismo que se intensificou após a Segunda Guerra Mundial, as pessoas passaram a aceitar quadros negativos conforme apontam as reflexões do sociólogo Zygmunt  Bauman.

Cabe, por fim, admitir que os impactos da pandemia no sistema carcerário deve ser superado. Logo, é necessário que o Estado promova fiscalização, priorizando fiscalizadores a partir de policiais competentes, com o objetivo de inspecionar com mais rigor o fluxo de novos detentos. Além disso, é fundamental parte da população em lutar por investimento estatal para atendimentos médicos nas cadeias. Desse modo, essa postura alienada poderia não ficar restrita a um personagem literário.