Impactos da pandemia no sistema carcerário brasileiro
Enviada em 21/05/2021
A série brasileira “Carcereiros” demonstra a realidade desumana do sistema carcerário brasileiro .Análogo ao que acontece na produção, a rotina dos presídios no país desconsidera, em muitos casos, a humanidade de seus encarcerados, com o aditivo da pandemia a condição diária foi piorada a níveis absurdos. Assim, é importante mencionar os impactos do tempo pandêmico no sistema carcerário do país, como a diminuição do contato, já mínimo, com o externo e a barbárica tentativa de imperdir o espalho da doença em ambientes superlotados.
Primeiramente, é fundamental debater acerca da importância de manter os laços dos indivíduos encarcerados para sua condição humana e como a pandemia prejudicou o acesso aos meios de contato externo, a exemplo de visitações. Para expandir tal viés, é necessário conhecer a teoria do sociólogo M. Foucalt, o qual afirma que o humano é um ser biopsicosocial, ou seja, precisa das esferas biológica, psíquica e social desenvolvidas para viver saudável. Nessa realidade, é plausível reconhecer que com os impedimentos pandêmicos os presidiários sofreram um grande impacto em sua capacidade de se conectar socialmente com aqueles que compõem seus laços externos ao ambiente carcerário. Isso ocorre porque os meios propostos pra tal contato foram imobilizados pelos protocolos instalados para impedir a disseminação da COVID-19, os quais não consideraram as necessidades dos encarcerados e promovem um isolamento desumano . Sendo assim, é notório o impacto da pandemia nas prisões brasileiras, como o tolhimento do mínimo contato humano externo dos presidiários.
Ademais, é essencial discutir a tentativa de impedir a transmissão da virose no ambiente carcerário, onde a superlotação é extrema e luta contra a saúde dos presos. Para comprovar tal concepção, é importante analisar os dados do site UOL, os quais afirmam que ocupação prisional já alcança 300% da ocupação fornecida pelo país. Nesse contexto, é necessário perceber paradoxo de lutar contra uma doença espalhada pelo ar num ambiente superpopulado, além de muito pouco ventilado, se torna quase impossível garantir a saúde dos cidadãos encarcerados, já que o contato é garantido e os protocolos externos são impraticáveis na realidade das prisões do país. Em suma, é compreensível que o impacto pandêmico no ambiente carcerário seja o declínio ainda mais profundo da saúde no local.
Portanto, haja vista as sequelas da pandemia nas prisões brasileiras, é fundamental que o Ministério da Segurança Pública, responsável pela condição dos presídios no país, invista a curto prazo em uma ferramenta para o contato social dos encarcerados. Isso deve ser executado por meio de ambientes controlados para encontros familiares prontos para imprevistos, como doenças pandêmicas. Isso tudo a fim de promover um ambiente humanizado para os cidadãos encarcerados .