Impactos da pandemia no sistema carcerário brasileiro
Enviada em 22/05/2021
“O futuro dependerá daquilo que plantamos no presente”. Essa máxima de Mahatma Gandhi pode fazer alusão aos impactos da pandemia no sistema carcerário brasileiro. Afinal, é por meio do acesso precário à saúde nas prisões e do individualismo da sociedade que a organização penitenciária sofre muitas consequências negativas em crises como o surto de doenças.
Em primeira análise, acerca dos impactos da pandemia no sistema carcerário do Brasil, é imprescindível citar como a precariedade de uma saúde efetiva para os detentos ocasiona um grande aumento na infecção de Covid-19 e a consequente morte de muitas pessoas. Essa temática pode ser concatenada com a pesquisa da CNJ, Conselho Nacional de Justiça, a qual mostra que os casos de contaminação entre os detidos aumentaram em 800% desde maio de 2020, o que evidencia o quanto o despreparo nas prisões no hoje reflete em um cenário caótico em meio à crise. Soma-se a essa questão o fato da ausência da assistência médica necessária durante o surto do coronavírus refletir em uma diminuição da dignidade humana, direito de todos, dos desprovidos de liberdade. Isso pode ser evidenciado com o Artigo 196 da Constituição Federal de 1988, o qual torna um dever do Estado prover saúde para toda a população brasileira e, por meio disso, garantir a cidadania de todos os indivíduos. Em contrapartida, a perpetuação de péssimas condições na organização penitenciária faz com que os prisioneiros não possuam garantias básicas como saúde, vida e segurança.
Outrossim, ainda sobre os impactos da pandemia no sistema carcerário brasileiro, é notório o quanto o individualismo da sociedade faz com que os presos sejam marginalizados e deixados de fora do grupo social e, portanto, sem a concretização de políticas públicas nos locais em que vivem. Relaciona-se tal vicissitude com a Teoria do Egoísmo do filósofo, Schopenhauer, a qual declara o quanto os seres humanos agem pensando apenas em si mesmos e não dão importância àqueles que não contribuem para o seu crescimento individual. Isso ainda pode ser analisado com a teoria da solidariedade mecânica de Durkheim, a qual incita o quanto a sociedade precisa agir em coletividade para alcançar o bem comum, portanto, fica claro o quanto é necessário uma maior integração entre a população do Brasil para a organização penitenciária sofrer menos em meio a crises como a pandemia do Covid-19.
Por conseguinte, fica claro o quanto os impactos causados pela pandemia no sistema carcerário precisam ser minimizados. Portanto, é fulcral que o Ministério da Cidadania, responsável pela perpetuação das políticas públicas, com ajuda dos órgãos necessários promovam fiscalizações nos presídios a fim de garantir a efetivação dos direitos sociais a todos os detentos. Dessa forma, com ações no hoje, muitas mortes vão ser evitadas e o futuro sonhado por Gandhi será concretizado.