Impactos da pandemia no sistema carcerário brasileiro

Enviada em 25/05/2021

“Sem padre, sem repórter, sem arma, sem socorro, vai pegar HIV na boca do cachorro”. Esse trecho da canção “Diário de um Detento”, da banda “Racionais Mc’s”, deixa explícito a falta de organização do cárcere, a qual o transforma em um ambiente insalubre e aumenta a transmissão de doenças contagiosas, como o “HIV” e Covid-19. Dessa forma, os impactos da pandemia no sistema carcerário são: a alta contaminação de presos e agentes penitenciários, e a falta de profissionais necessários à reinserção social - como assistentes sociais -, por medo de serem infectados.

É importante destacar, em primeiro plano, a taxa, indiscutivelmente alta, de contaminação nos presídios, que ocorre devido a desorganizações estruturais e sanitárias. A esse respeito, “Carandiru”, filme dirigido por Hector Babenco, cineasta argentino, evidencia o estado deplorável em que se encontram as prisões brasileiras, a exemplo do surto de tuberculose na penitenciária retratada. Nesse sentido, é possível identificar falhas colossais na distribuição espacial dos detentos, mediante a mistura de presos doentes com sadios, o que pode infectar até os agentes penitenciários. Dessa maneira, é essencial que o Estado regularize a higiene do ambiente carcerário, tendo em vista amenizar, ao máximo, as resultâncias negativas da pandemia.

Sob outra análise, a consequência dessa falta de medida organizadora é, mormente, a escassez de profissionais responsáveis por reintegrar os indivíduos à sociedade - como professores e assistentes sociais -, por medo de serem infectados. Visto isso, Jeremy Bentham, sociólogo utilitarista do século XVIII, desenvolveu a ideia do “Panóptico de Bentham”, uma penitenciária capaz de proporcionar assistência social o dia todo, além disso, coordenar de maneira eficiente. Desse modo, ao combater, eficientemente, assim como disse Bentham, a disseminação de doenças infectocontagiosas, os profissionais capacitados- responsáveis pela reinserção social de futuros ex-detentos- não teriam o receio de trabalhar nas cadeias.

Depreende-se, portanto, que o governo deve impedir, urgentemente, os impactos da pandemia no sistema carcerário. Logo, o Ministério da Saúde deve impor cautelas sanitárias nas cadeias, por meio do distanciamento social obrigatório e redução do número de visitas, com a finalidade de impedir a disseminação do coronavírus. Ademais, cabe ao DEPEN- Departamento Penitenciário Nacional-, no exercício de sua função de ordenamento do sistema carcerário, organizar as penitenciárias, por meio da diminuição de presos por cela e a distribuição de máscaras, com o objetivo de conter os avanços do Covid-19. Assim, prestar-se-á o “socorro” reclamado na música do grupo “Racionais Mc’s”.