Impactos da pandemia no sistema carcerário brasileiro
Enviada em 05/08/2021
A saúde pública, fora do sistema carcerário já está em um cenário precário, dentro dele se encontra em uma situação ainda pior, com a superlotação das celas, a falta de limpeza, a falta de acesso a exames básicos de rotina, sem banhos de água quente, a falta de água potável e uma infra estrutura que não é adequada, acaba contribuindo para que o novo vírus, COVID-19 se espalhe com mais facilidade. Em uma cela, que é para apenas 10 ou 12 pessoas, acabamos encontrando acima de 30 detentos juntos. O vírus da COVID-19, acabou dificultando qualquer tipo de ajuda dos agentes de saúde e do estado, pois os presos ficam longe de seus familiares e então as famílias ficam sem notícias de seus parentes já que a visita presencial foi suspensa.
Além disso, um monitoramento realizado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) mostra que, somente nos primeiros 67 dias deste ano 2021, ocorreram mais de 58 mortes por Sars-CoV-2, entre servidores e pessoas em privação de liberdade, totalizando 308 óbitos desde o início da pandemia. Segundo o CNJ, o número representa um aumento de 190% no registro de novos óbitos em comparação com o último bimestre do ano passado. Outro fato alarmante é a falta de conexão, explicação e atendimento adequado entre o sistema e as famílias, a grande maioria relata que tem medo de perder o marido, filho ou pessoa próxima que está dentro da cadeia.
Visto que, a superlotação é algo que vem tomando uma proporção significativamente grande, os impactos e problemas que ela causa são grandes como: a pouca ventilação, iluminação quase não existe, racionamento de água e comida e a falta de cobertores, são fatores que contribuem para que o vírus se propague com mais facilidade, já que a distancia entre os presos é quase impossível, e os cuidados do dia a dia são bem poucos.
Assim, as famílias reclamam também da falta de comunicação com os detentos, e a subnotificação de seus estados de saúdes dentre outros assuntos, com a proibição das visitas, as entregas de cartas ou telefonemas já não ocorrem com tanta frequência, visto que muitas cadeias não possuem sinais de telefone e as cartas não chegam até eles com facilidade.
Por conseguinte, medidas são necessárias para resolver a questão do sistema carcerário brasileiro, para que ele seja mais abrangente o governo deve investir na extensão de cadeias para evitar a lotação e, como solução paliativa, usar caminhões pipa para suprir a carência de água potável, energia elétrica, enfermaria mais ampla e com medicamentos mais acessíveis e fácil acesso a exames (principalmente o da COVID-19), e manter seus respectivos familiares informados sobre o estados de saúde dos presos.