Impactos da pandemia no sistema carcerário brasileiro
Enviada em 01/09/2021
O livro “estação carandiru” é uma obra do médico oncologista, professor e escritor Drauzio Varella, no best-seller, o autor conta sua experiência como médico voluntário, a partir de 1989, na casa de detenção de são paulo, onde realiza atendimento em saúde, demostrando a precariedade do sistema carcerário. Além do contexto análogo ao livro, a pandemia ocasionada pelo covid-19 provocou impactos negativos ainda maiores no sistema prisional, dentro deste assunto, torna-se premente a discussão do agravamento da precariedade oriundo crise sanitária atual e com o preconceito contra as pessoas privadas de liberdade.
Em primeira análise, cabe ressaltar que a pandemia impactou diretamente a saúde dos detentos, sob esse viés, o sistema carcerário possui uma superpopulação e as condições de ventilação e espaço são restritas, o que favorece a contaminação do novo coronavírus. Nesse sentido, prova cabal disso, segundo a especialista e sanitarista Alexandra Sánchez, da fundação Oswaldo Cruz (fiocruz), a saúde nas penitenciárias já era um problema grande antes da pandemia e agora os casos de infecções e mortes aumentam a cada dia, isso condiz com os dados publicados pelo departamento penitenciário nacional, onde cerca 40% dos detentos do complexo penitenciário de sorocaba foram contaminados pela nova doença. Desse modo, a propagação de infecções gripais, como a covid-19, tem consequências trágicas.
Outrossim, existe preconceito contra aqueles que se encontram no sistema prisional. Com efeito, as pessoas tendem a criticar o despêndio de recursos, que são escassos, para o tratamento daqueles que cometeram crimes. Esse pensamento é explicado pelo escritor cristão Paul Washer que discorre acerca de como cada indivíduo possui um conceito próprio de moral e tende a considerar os crimes alheios maiores ou menores de acordo com regras subjetivas. Devido a isso, durante a pandemia, a população carcerária é tratada com menos prioridade do que outros setores da sociedade que são vistos com mais empatia.
Dessarte, a pandemia impactou terrivelmente o sistema carcerário brasileiro. Por isso, caberá, assim, ao departamento penitenciário nacional em sinergia com a secretaria estadual de saúde, realizar protocolos de atendimentos de saúde aos detentos, por meio de medidas preventivas e curativas dos indivíduos, assim como isolamento social aos demais detentos daqueles contaminados, com o objetivo de mitigar a propagação do vírus. É necessário também, que os governos dos estados devem realocar os presos através de um sistema nacional de vagas com o objetivo de aliviar imediatamente a superlotação. Para que só assim, a precariedade de estação candiru não seja algo frequente.