Impactos da pandemia no sistema carcerário brasileiro
Enviada em 06/09/2021
No seriado “Irmandade”, o público é apresentado ao ambiente carcerário brasileiro, o qual demonstra uma saturação populacional, além das péssimas condições de vida, favoráveis a disseminação de doenças. Com isso, percebe-se que, com o advendo da pandemia, em função do covid-19, essas prisões serão gravemente impactadas, visto que não terão infraestrutura nem articulação requisitada pelas autoridades da saúde para conter o avaço da doença. Dentre as consequências acarretadas por esse fato, está o elevado número de mortes nos presídios, em dependência do modo que eles são administrados, além da gerência desses ambientes passar a ser altamente influenciada pelas facções.
Verifica-se, de antemão, que a atual ordem que rege o sistema penitenciário, defendida pelas autoridades, constroi uma atmosfera propícia para a disseminação de vírus com potencial pandêmico. Sobre isso, torna-se relevante um dos princípios de Mário Sérgio Cortella: “É necessário cuidar da ética para não anestesiarmos a nossa consciência e começarmos a pensar que tudo é normal”. Assim dizendo, pelo fato da sociedade brasileira ter construído a mentalidade de que os detentos são dispensáveis ao progresso da nação, as pessoas passaram a ignorar a forma como os presos são tratados, ou, em um cenário de pestilência, o que se deve fazer para minimizar o avanço da doença, fazendo com que o níveis de morte se elevem. Logo, nesse cenário, a gestão incoerente que é atribuída aos cárceres eleva o número das mortes.
Além disso, percebe-se que a logística das facções dentro desses ambientes, apesar de desfavorável em diversos aspectos, se torna condicional para que alguém sobreviva a essa transmissão. Isso se dá pelo fato de que, na prática, por muitas vezes o estado não provê os recursos necessários para a vivência dos detentos, fazendo com que as relações via facções sejam necessárias para fornecer elementos como alimentação, roupas, sentre diversos outros. Ou seja, se algum presidiário não tiver adentrado em alguma dessas coorporações e vier a contrair a alguma doença, ele não receberá nenhum tipo de suporte, visto que o governo não demonstra apoio e que os demais presos não lhe auiliarão. Portanto, sem o apoio desse grupo, baixas são as chances de sobreviver ao vírus.
Com isso, dentota-se a importância em reverter os impactos da pandemia no sitema carcerário brasileiro. Para isso, cabe à secretaria da educação, por meio de subsídios estatais, valorizar os ensinamentos sociológicos, para que os jovens desenvolvam senso crítico acerca do tratamento recebido pelos detidos, para que mudanças sejam feitas quanto as estruturas do sistema carcerário. Além disso, faz-se necessária a disseminação de vacinas nos presídios, pelo ministério da saúde, garantindo a saúde dessa população e evitando a realidade abordada em “Irmandade”.