Impactos da revolução tecnológica digital no mercado de trabalho
Enviada em 29/08/2019
Na obra platônica “A República”, o filósofo dialoga acerca de um modelo político que promoveria a estabilidade social dos indivíduos mediante o nível de conhecimento deles. De maneira análoga, observa-se, no Brasil de economia capitalista, um panorama semelhante no que alude ao mercado de trabalho, haja a vista a divisão de esferas laborais em decorrência da especialização dos empregados. Nesse contexto, cabe analisar os efeitos gerados na vida daqueles que não alcançam, devido a fatores socioeconômicos, segurança no mundo laboral pós revolução tecnológica.
É relevante elencar, em primeiro plano, as mudanças decorrentes da Revolução Industrial, a qual introduziu a mecanização e, consequentemente, o aperfeiçoamento na ambiência laboral, como promotoras de impactos na vida dos trabalhadores, sobretudo rurais. Nesse interim, ao ser inserido máquinas no meio agrário, o homem do campo que não acompanha as inovações tecnológicas é, gradativamente, substituído. Assim, vê-se obrigado a migrar para a cidade em busca de sobrevivência, contudo, por não possuir, geralmente, estudo e qualificação, quando não ocupa vaga na lista de desempregados, esse indivíduo submete-se a serviços subumanos, os quais exploram a força de trabalho sem compensar corretamente por ela e, dessa maneira, mantém uma mais valia.
Concomitantemente, ao passo em que o país verde-amarelo experimenta a modernização e a automatização do âmbito secundário, a mão-de-obra empregada outrora na indústria é transferida em massa para o campo de comércio e serviços, fato causador da hipertrofia nesse setor. Consequentemente, conforme há a transferência célere de um contingente de pessoas, a oferta de emprego torna-se menor que a de procura e, dessa forma, há o aumento do desemprego, o qual já assola, segundo dados do G1, 13,1 milhões de brasileiros. Diante dessa conjuntura, quando possível, os civis recorrem a trabalhos informais, desvinculando-se dos seus direitos e deveres como trabalhadores, dos quais destacam-se, respectivamente, a proteção social e a contribuição com o INSS.
Face ao exposto, cabe ao Ministério da Educação, enquanto órgão capaz de tornar o ensino acessível, desenvolver, em conjunto com a Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário (SEAD), um projeto de especialização com o homem do campo, por meio de pesquisas e instruções voltadas para a modernização desse setor, a fim de atenuar o êxodo rural e estimular a cultura agrícola. Ademais, em parceria com o SENAC, o MEC deve ampliar a oferta de cursos profissionalizantes e incentivar, por intermédio da redução de barreiras fiscais, a contratação de jovens profissionais. O reflexo dessas ações terá de ser, portanto, a contenção do desemprego que atormenta o povo brasileiro e a movimentação vertiginosa do capital.