Impactos da revolução tecnológica digital no mercado de trabalho

Enviada em 04/09/2019

Na perspectiva da Revolução Verde, o espaço agrário brasileiro vivenciou, na segunda metade do século XX, a mecanização do campo; dessa feita, grande parte da população rural que trabalhava na agricultura perdeu sua função e migrou para as cidades, no que chamou-se de êxodo rural. Concomitantemente, os efeitos dos avanços digitais pós-industriais podem ser observados em todos os setores econômicos e, principalmente, sobre a população economicamente ativa. Nesse contexto, a redução dos postos de emprego e a extinção de funções humanas são os principais impactos da revolução tecnológica no mercado de trabalho.

Em primeira instância, na medida em que a automatização expande-se nos setores de produção e serviço, cada vez menos vagas são ofertadas e as demissões são mais frequentes. Consoante a um relatório do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA-2017), desde o início do incremento tecnológico em larga escala, datado da última década, há um déficit expressivo na oferta de empregos, com média de 150 mil novos postos contra 800 mil novos jovens no cenário profissional anualmente. Dito isso, o desemprego crescente é um dos produtos da substituição da mão de obra humana pela digital, pois a disponibilidade de trabalhos formais já é inversamente proporcional ao crescimento do número de potenciais trabalhadores.

Sob esse viés, uma vez que as máquinas estão cada vez mais aptas a desempenhar tarefas humanas, elas passam a ocupar o cargo de trabalhadores e, assim, chegam até a extinguir funções profissionais. Exemplificando, o departamento bancário, após sucessivas expansões do uso de inteligência artificial e postos de autoatendimento, já caminha para oferecer atendimento 100% virtual, desfazendo-se do contingente de atendentes nas agências.Destarte, tal fato está previsto também em um estudo publicado pela (FGV-2018), o qual aponta a possibilidade da extinção de cerca de 45% das funções humanas no mercado até o final da próxima década.

Infere-se, portanto, que tais impactos da tecnologia no ambiente de trabalho devem ser mitigados. Urge, assim, que o Governo Federal, enquanto instância máxima administrativa, incremente legislações trabalhistas que promovam a criação de vagas de emprego em todos os setores; estabelecendo contingente humano mínimo para empresas  (de acordo com o porte de cada uma). Ademais,  essas políticas devem traçar estratégias de inserção de jovens no mercado e a capacitação destes para acompanharem avanços, a fim de diminuir a proporção de mão de obra ociosa; desse modo, a perda de postos de atuação, como ocorrido na Revolução Verde, bem como a extinção de funções serão atenuados.