Impactos da revolução tecnológica digital no mercado de trabalho
Enviada em 06/09/2019
Na perspectiva da Revolução Verde,o espaço agrário brasileiro vivenciou, na segunda metade do século XX, a mecanização do campo; dessa feita, grande parte da população rural que trabalhava na agricultura perdeu sua função e migrou para as cidades. Concomitantemente, os efeitos dos avanços digitais pós-industriais são observados em todos os setores econômicos e, principalmente, sobre a população economicamente ativa. Nesse contexto, a redução dos postos de emprego e a extinção de funções humanas são os principais impactos dessas revoluções no mercado de trabalho.
Em primeira instância, na medida em que a automatização expande-se ao longo da cadeia de produção e serviços, cada vez menos vagas são ofertadas ao trabalhador. Consoante a um relatório do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA-2017),desde o início do incremento tecnológico em larga escala no Brasil, há um expressivo déficit na oferta de empregos, com média de 150 mil novos postos contra 800 mil novos jovens no mercado, anualmente. Dito isso, o desemprego crescente é, certamente, um dos produtos da substituição da mão de obra humana pela máquina, sendo assim, é inadmissível que tal fato perpetue-se na sociedade, uma vez que eleva potencialmente o índice do desempregados.
Sob esse viés, uma vez que as máquinas estão cada vez mais aptas a desempenhar tarefas humanas, elas passam a ocupar o cargo de trabalhadores e, assim, chegam a extinguir funções profissionais. Exemplificando, o departamento bancário, após sucessivas expansões do uso de inteligência artificial e postos de autoatendimento, caminha para oferecer atendimento 100% virtual até o final da próxima década, diz uma análise da (FGV-2018), desfazendo-se, então, do contingente de atendentes em agências. Destarte, é indubitável o caráter devastador dessa tendência, pois sufoca o trabalhador e aumenta o índice da pobreza ao reduzir o número de assalariados.
Infere-se, portanto, que tais impactos pós-industriais no ambiente de trabalho devem ser mitigados. Urge, para isso, que o Governo Federal, enquanto instância máxima administrativa, incremente legislações trabalhistas que promovam a criação de vagas de emprego em todos os setores; estabelecendo contingente humano mínimo para empresas (de acordo com a industrialização e com o porte de cada uma). Ademais, essas políticas devem traçar estratégias de inserção dos jovens no mercado e a capacitação destes para acompanhar avanços., a fim de diminuir a proporção de mao de obra ociosa. Desse modo, a perda de postos de atuação, como ocorrido na Revolução Verde, bem como a extinção de funções serão atenuadas.