Impactos da revolução tecnológica digital no mercado de trabalho
Enviada em 06/10/2019
A Constituição Federal de 1988 reconhece o trabalho como um direito social, que visa a melhoria da condição dos trabalhadores na sociedade. Em contrapartida, esse direito não é totalmente assegurado na prática, dado que a revolução tecnológica digital gera impactos no mercado de trabalho, como a extinção de áreas profissionais e a grande demanda por trabalhadores criativos e especializados. Desse modo, é imprescindível tomar atitudes com o fito de mitigar tais impactos e proporcionar a plena prática desse direito.
Em primeiro plano, observa-se que o desaparecimento de determinadas atividades profissionais, realizadas exclusivamente por pessoas, está diretamente ligado à revolução tecnológica digital que acomete o mercado na atualidade, já que com a automatização das tarefas, os trabalhadores perdem seus postos de trabalho para as máquinas, que possuem um alto grau de eficiência, ou são demitidos por não terem o conhecimento necessário para o manuseio de equipamentos tecnológicos utilizados nas empresas. Essa problemática contribui para a elevação das taxas de desemprego, bem como corrobora a importância de adaptação às tecnologias por parte dos funcionários, como afirma o filósofo francês Pierre Lévy. Sendo assim, atenuar tais adversidades torna-se indispensável.
De outra parte, percebe-se que com a inserção da tecnologia no setor do trabalho, há uma grande procura por profissionais especializados e altamente criativos, visto que a necessidade de adaptação tecnológica é explícita e as máquinas não conseguem substituir uma qualidade profissional indispensável: a criatividade. Essa busca por mão de obra qualificada desperta maior interesse na realização de cursos e capacitações como uma forma de evitar a obsolescência, uma vez que o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, na obra Modernidade Líquida, aduz que na sociedade contemporânea, até mesmo as pessoas tornam-se obsoletas. Logo, é fundamental minimizar tais empecilhos relacionados a obsolescência profissional.
Urge, por conseguinte, tomar as medidas necessárias para reduzir os impactos gerados pela revolução tecnológica no setor laboral. Posto isso, cabe às empresas e demais instituições de trabalho oferecer cursos de capacitação gratuita aos funcionários, que abordem o funcionamento e manuseio de aparatos tecnológicos, nos próprios locais de trabalho e em horários específicos, a fim de minimizar o desemprego motivado pela falta de conhecimento tecnológico. Ademais, é de responsabilidade do Ministério da Educação investir verbas na implantação de oficinas de cunho tecnológico nas escolas, com o intuito de preparar antecipadamente os estudantes para o mercado de trabalho. Dessa forma, as tecnologias não provocarão a obsolescência como já afirmado por Bauman.