Impactos da revolução tecnológica digital no mercado de trabalho

Enviada em 16/10/2019

Em sua obra “Cidade e as serras", o escritor português Eça de Queiroz louva a quantidade de tecnologia existente na Paris do século XIX, bem como sua interferência na sociedade. Fora das páginas, é fato que a revolução tecnológica propiciou diversos avanços na vida humana, entretanto esse progresso também culminou em dilemas sociais. Desse modo, a existência de uma sociedade capitalista que visa aumentar cada vez mais os lucros somada a baixa qualificação profissional do trabalhador corrobora o impacto negativo que essa tecnologia trouxe para a humanidade.

A princípio, reconhece-se como o sistema capitalista é responsável por dirimir as vagas de emprego a fim de ampliar suas parcelas lucrativas. Acerca disso, rememora-se o discurso do sociólogo alemão Karl Marx, que disserta sobre o conceito de “mais-valia”, no qual afirma que a introdução da máquina na linha de trabalho, além de diminuir os empregos, amplia também a exploração do trabalhador. Logo, é possível perceber que sede do capitalismo em ampliar seus lucros foi fundamental para a ocorrência da revolução tecnológica e, também, para tornar diminutos os salários e as vagas empregatícias.

Além disso, é ponto pacífico inferir que com o aumento da tecnologia, o mercado de trabalho se tornou mais competitivo, já que, com poucos postos de emprego, a existência de qualificação se tornou imprescindível. Segundo o contratualista Thomas Hobbes, a sociedade busca o aprimoramento cognitivo para que os seres humanos possam competir cada vez mais uns com os outros. Portanto, a exigência de qualificação profissional no meio técnico-científico-informacional, além de necessária, tornou-se um pressuposto para aumentar a competitividade entre os indivíduos de uma mesma esfera social.

Destarte, mostra-se urgente a adoção de medidas que mitiguem os impactos negativos da tecnologia no mercado de trabalho. Para tanto, é basilar que o Ministério da Educação forneça aulas de aprimoramento profissional e, ao mesmo tempo, social, por meio de aulas de Sociologia e Tecnologia que demonstrem a necessidade de cooperação concomitante à qualificação. Essa ação poderia auxiliar os futuros trabalhadores a criarem uma consciência crítica que entenda a imprescindibilidade de, mesmo no sistema capitalista, utilizar da alteridade e do altruísmo. Dessa maneira, a tecnologia poderia ter um impacto menos destruidor nas sociedades pós-modernas.