Impactos da revolução tecnológica digital no mercado de trabalho
Enviada em 27/10/2019
No filme ‘‘A.I - Inteligência Artificial’’, a possibilidade de criar robôs com sentimentos humanos é retratada, provocando, assim, a reflexão sobre como a tecnologia pode impactar as relações interpessoais. A situação do mercado de trabalho, atualmente, não é distinta da observada na obra ficcional, haja vista os impactos do progresso tecnológico em curso na remodelação das profissões. Diante disso, é necessário analisar pontos e contrapontos, como a relação entre a criatividade e o surgimento de relações trabalhistas humanizadas, além do atraso brasileiro em preparar jovens para esse novo mercado, respectivamente.
Em primeira análise, faz-se importante destacar que as máquinas em desenvolvimento conseguirão realizar funções cognitivas, desempenhadas, na atualidade, pelos seres humanos, por isso, a criatividade, característica, até então, exclusivamente humana, será determinante para o estabelecimento de uma carreira profissional. A partir do desenvolvimento dessa criatividade, os ambientes de trabalho serão dotados de trabalhadores sensíveis e emocionalmente desenvolvidos, ao ponto de perceberem problemas e fornecerem soluções adequadas, participando ativamente do processo produtivo. Por isso, é possível afirmar que relações humanizadas surgirão, como uma consequência da demanda trabalhista pela criatividade.
Evidentemente, o sistema de ensino brasileiro não está desenvolvendo o tipo de profissional que o mercado demandará no futuro, haja vista o atraso da matriz curricular. Tal fato ocorre, porque a educação no Brasil ainda é tradicional, de modo que os estudantes ficam nas salas de aula apenas ouvindo os professores falarem por longos períodos de tempo, sem desenvolverem nenhum tipo de inteligência além da cognitiva. A título de comparação, na Finlândia, país conhecido por ter um dos melhores sistemas educacionais do mundo, os jovens frequentam a escola pelo menor período possível, de modo que a prioridade seja brincar e desenvolver, dentro do ambiente coletivo, sensibilidade e criatividade, preparando-os, destarte, para o mercado de trabalho tecnológico.
Nota-se, portanto, que o impacto do progresso tecnológico é positivo ao considerar o surgimento de relações humanizadas como consequência da demanda criativa, mas negativo ao analisar a situação brasileira. Desse modo, o Ministério da Educação, responsável por administrar o ensino no país, deve criar ambientes propícios para a síntese da criatividade. Essa ação pode ser feita através de uma carga horária mínima dentro da total já exigida, para que as crianças desenvolvam, diante do caráter lúdico das brincadeiras, a criatividade em conjunto, percebendo o outro e a si mesmas. Com essas medidas, é possível originar novas gerações criativas e prontas para o mercado de trabalho.