Impactos da revolução tecnológica digital no mercado de trabalho
Enviada em 01/11/2019
O Existencialismo de Sartre pondera a relação entre liberdade e responsabilidade, no qual ações de um indivíduo ou instituição refletem em todo corpo social. Análogo a isso, o avanço tecnológico passou a exigir uma nova forma do cidadão relacionar-se com o trabalho, que deixou de ser laboral e tornou-se empreendedor e autônomo, além de expor o repensar sobre o processo de formação laboral. Diante da problemática exposta, cabe fazer uma análise sobre a influência tecnológica nas demandas profissionais, e buscar medidas resolutivas adequadas.
A priori, deve-se ressaltar que o modelo capitalista ao objetivar o lucro máximo impõe sobre o cidadão uma atuação labutar atrelada à atualidade. De acordo com Pierre Bourdieu, “a partir do momento que a pessoa se insere em determinado grupo social ela irá adquirir os valores desta classe”. Deste modo, devido ao fato das inovações tecnológicas definirem o futuro das profissões, o comportamento do indivíduo passa a ser compelido, isto é, todos os trabalhadores devem estar em consonância com a realidade. Entretanto, essa nova idiossincrasia foge da lógica rígida originaria da Revolução Industrial, visto que, agora o mercado espera dos profissionais uma conduta inovadora e criativa frente às demandas contemporâneas. Neste sentido, o trabalhador deve estar na vanguarda tecnológica para atender o modelo produtivo capitalista.
Outrossim, há que se considerar que no Brasil o processo de formação profissional encontra-se defasado e distante das exigências econômicas e sociais. Segundo Nelson Mandela, “a educação é a arma mais poderosa que pode ser usada para mudar o mundo”. Sendo assim, somente através da instrução o indivíduo pode criar tecnologia e utiliza-la para melhorar a sociedade na qual vive. Desta forma, o processo formativo de mão-de-obra tendo a evolução “high-tech” como princípio norteador, passa a atender as demandas da sociedade e estimular a força motriz do mercado, ao produzir conhecimento e conceber capital para o país. Em suma, configura o pensamento de Napoleão Bonaparte ao construir os Liceus, que objetivavam gerar uma força de trabalho adequada à realidade pós Revolução Francesa.
Portanto, torna-se evidente que ações acerca dos avanços tecnológicos e demandas laborais são necessárias. Compete ao Poder Executivo investir no aperfeiçoamento da formação profissional, ao reformular os programas educacionais e estabelecer parcerias com a iniciativa privada, gerando uma mão-de-obra empreendedora, compatível com os avanços tecnológicos e comprometida em sanar as diligências da sociedade. Deste modo, será possível garantir que, de fato, ocorra um avanço na formação do trabalhador. Sendo desta maneira, uma conquista social, assim como ressaltou Sartre.