Impactos da revolução tecnológica digital no mercado de trabalho

Enviada em 01/11/2019

Realidade distante

A  produção cinematográfica “Inteligência Artificial”, de Steven Spielberg, narra uma realidade surreal em que os humanos convivem com robôs e com tecnologias nunca vistas antes pela sociedade. Fora da ficção, o futuro anunciado por Spielberg se aproxima da contemporaneidade e será capaz de reconfigurar uma das áreas mais importantes para o mundo globalizado: o trabalho. Desse modo, como consequência da revolução tecnológica digital, o mercado de trabalho tem sido impactado constantemente pela exigência de maior inteligência emocional do trabalhador e pela intensificação do processo de desemprego estrutural.

Sob uma primeira análise, as máquinas serão capazes, a curto prazo, de desenvolver tarefas operacionais com maestria, tal como se vê na ficção de Spielberg. Nesse sentido, as habilidades exigidas aos indivíduos não serão técnicas, mas sim comportamentais, o que obriga o trabalhador a aprimorar sua inteligência emocional. Esse termo foi descrito pelo psicólogo norte-americano Daniel Goleman e consiste na capacidade de relacionar-se com o outro de forma saudável, delegar tarefas e evitar o esgotamento profissional. Todavia, a proposta de Goleman ainda não é realidade no mercado de trabalho atual, marcado pela ansiedade, pelo estresse e pela competitividade hostil.

De outra parte, desde o final do século XX, em decorrência do advento do neoliberalismo toyotista, a inovação é sempre requisitada. Todavia, isso intensificou também o processo de desemprego estrutural.  Isso ocorre porque as tecnologias amplamente desenvolvidas substituíram a mão de obra em diversos setores -como o impacto causado pela Revolução Verde, que, como consequência da mecanização do campo, levou à diminuição dos níveis de emprego formal. Como consequência, houve a flexibilização das leis trabalhistas, uma vez que diversos trabalhadores, com receio do desemprego, se submetem a condições insalubres de trabalho.

Fica claro, portanto, que a Revolução Tecnológica reconfigurou as relações trabalhistas, fazendo-se necessário combater seus aspectos negativos. Sendo assim, os indivíduos podem buscar o autoconhecimento, por intermédio de visitas periódicas a psicólogos, a fim de desenvolver a inteligência emocional -negligenciada no mercado de trabalho. Por sua vez, o Ministério da Economia, por meio da Secretaria do Trabalho, deve fazer associações público-privadas visando criar editais para a contratação de novos postos de trabalho, com o intuito de combater o desemprego estrutural. Dessa forma, os impactos negativos da ficção de Spielberg serão realidade distante.