Impactos da revolução tecnológica digital no mercado de trabalho

Enviada em 26/12/2019

A Revolução Industrial, combinada à solidificação do pensamento capitalista, deixou mudanças profundas na relação de trabalho, uma delas é o surgimento da classe operária e sua antítese, o patronato. Está na constituição do capitalismo a incansável busca pelo aumento da produtividade, o que incorre - quase que obrigatoriamente - o desemprego estrutural. Essa dicotomia que, como apontou Karl Marx, contrapõe interesses de patrões e empregados na chamada luta de classes, não mudou. Assim, o temor de que a mão de obra humana seja substituída pela máquina não é recente e continua preocupando a classe trabalhadora, sobretudo hoje, em tempos de era tecnológica.

Já na Inglaterra pós-revolução do início do século XIX, movimentos como o Ludismo e o Cartismo ganharam força entre os operários. O primeiro, sob a liderança de Ned Ludd, entre 1810 e 1812, resultou na depredação de maquinários em uma reação desesperada do proletário contra o que jugava ser o seu algoz, a máquina. O segundo, mais moderado, atentava para a necessidade de melhorias na condição de vida dos trabalhadores por meio da elaboração de cartas que registravam suas reivindicações.

Como provou a História, embora os dois movimentos tenham caminhado para a conquista de direitos, o inimigo do trabalhador não era a máquina, mas a desinformação, a ignorância, a má qualificação, enfim, a falta de acesso ao conhecimento e os entraves para o seu aperfeiçoamento profissional. Tais males, infelizmente, continuam enfraquecendo os trabalhadores quando expostos ao processo de inovação tecnológica - tão próprio do capitalismo e fruto da evolução dos modos de produção iniciada no século XVIII.

Portanto, a solução para os efeitos colaterais do processo de automação não está em combater maquinários, como supuseram os ludistas, mas na qualificação da mão de obra, já que, como preveem especialistas, a criatividade é um atributo humano insubstituível. Para tanto, o Governo Federal deve investir na oferta de cursos técnicos, como já tem feito com a ampliação dos Institutos Federais de Educação em todo território nacional. Por sua vez, a formação desses estudantes permitirá, por meio do incentivo a projetos de pesquisa, que as futuras gerações sejam preparadas para um mercado exigente sem que sofram com o desemprego.