Impactos da revolução tecnológica digital no mercado de trabalho

Enviada em 04/09/2020

A série “Como vender drogas online’, de origem alemã, exibida pela plataforma de streaming Netflix, retrata de maneira cômica a realidade de dois adolescentes que decidem vender drogas pela internet, desbancando a concorrência local com essa nova forma de fazer negócio. Fora das telas, a produção representa uma analogia a rapidez e eficiência proporcionada pela tecnologia e como isso afeta diretamente o mercado de trabalho. Nesse sentido, é preciso entender como a era digital afeta as relações trabalhistas e quais as consequências dessa realidade para o povo brasileiro.

Em primeiro momento, faz-se necessário compreender como ocorre a relação entre tecnologia e trabalho. Com o advento da globalização o avanço tecnológico adquiriu espaço de destaque nos vínculos comerciais entre as regiões do globo e possuiu reflexo direto nas relações de trabalho de cada país. Nesse cenário, com a modernização digital o setor trabalhista sofre impactos diariamente. De acordo com o relatório “Future Jobs”, fornecido pelo Fórum Econômico Mundial, as alterações no mercado devem acabar com cerca de cinco milhões de empregos e criar aproximadamente novos dois milhões, direcionados para outros setores, como o informático. Uma exemplificação dessa realidade é o aparecimento de profissões como o “Profissional da Tecnologia de Informação (TI)” que surgiu apenas em 1944 nos Estados Unidos, como um claro sinal do progresso tecnológico.

Ademais, a falta de mão de obra capacitada no setor tecnológico pode originar um grave impacto no mercado de trabalho brasileiro. Consoante ao filósofo francês, Pierre Levy,  o qual estuda os impactos da internet no mundo atual, “Toda nova tecnologia gera seus excluídos”. Assim, uma população com pouca qualificação tende a ficar a margem da inovação tecnológica. De acordo com a pesquisa realizada pela empresa norte-americana, Robert Half, a dificuldade de encontrar mão de obra qualificada afeta oitenta e oito por cento dos empresários. Nesse contexto, a taxa de desempregados tende a crescer em um país e no caso do Brasil já afeta doze milhões de seu total populacional.

Diante do exposto, é nítida a necessidade de medidas que solucionem essa problemática. Portanto, cabe ao governo, por meio do Ministério do Trabalho a elaboração de medidas que incentivem a capacitação profissional, tal como palestras e workshops públicos que promovam métodos de correlacionar trabalhadores e tecnologias, a fim de proporcionar o desenvolvimento do trabalhador, das organizações e do próprio país. Outrossim, cabe ainda ao Ministério da Educação propor uma reforma na grade educacional, investindo na interação entre alunos e tecnologia, buscando melhorar a formação acadêmica do jovem, qualificando-os mais e atenuando os índices de desemprego local. Somente através desse plano governamental, terá fim o entrave no desenvolvimento digital do Brasil.