Impactos da revolução tecnológica digital no mercado de trabalho

Enviada em 29/12/2020

O mundo contemporâneo vê ascender a Quarta Revolução Industrial, a qual converge tecnologias digitais, físicas e biológicas. Nesse sentido, áreas como a eletrônica e a biotecnologia têm como impacto não só a saúde, a segurança e a educação, mas, notadamente, o trabalho. Afinal, o futuro do campo caminha para dois pontos: de um lado, o desemprego; de outro, o alto grau de versatilidade exigido do trabalhador.

Inicialmente, o futuro do trabalho projeta-se ao desemprego massivo. Em outras palavras, a vasta robotização logística da gigante Amazon, ou mesmo a aprovação do governo californiano da circulação de veículos de entrega autônomos são o suprassumo de fenômenos mais tangíveis e cotidianos, como a precarização do trabalho. Assim, se o Brasil de hoje bate os recordes de 13 milhões de desempregados e de quase 55 milhões de informais ou subutilizados, segundo dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a concretização de indústrias completamente automatizadas não traz bom agouro. Portanto, diante da inépcia governamental em garantir renda por meio da atividade que, segundo a filósofa Hannah Arendt, é o diferencial humano, resta aos alagoanos e mineiros se prepararem rumo ao cenário previsível.

Posto isso, o labor das próximas décadas exigirá a tônica do trabalhador moderno: a versatilidade. Infelizmente, 80% das profissões atuais tendem a se extinguir, de acordo com debates do Fórum Econômico Mundial. Em consequência, o fim dos “empregos de uma vida” demanda cidadãos polivalentes: um médico deve explorar suas habilidades comunicativas e medicinais imerso na geração “slash, slash, slash”, representante de tal pluralidade. Certamente, segmentos populacionais como os analfabetos digitais e fatos como a ausência de internet em 20% dos lares brasileiros, segundo o IBGE, além dos fracassos educacionais acumulados pelo Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) refutam as exigências contemporâneas e impedem que o país, junto de seus cidadãos, lidere projetos de preparação em face de uma revolução irreversível.

Em suma, a revolução digital traz consigo o desemprego e o alto nível de diversificação imposto aos empregados. Urgentemente, dada a iminência e universalidade do quadro, os governantes brasileiros devem, por meio de debates cooperativos internacionais, projetar programas assistenciais e educacionais, como a implantação de uma renda mínima e a modelagem de escolas com atividades interdisciplinares, para que os cidadãos tenham sustento e emprego na nova era. Só assim, a transformação digital proporcionará uma metamorfose social.