Impactos da revolução tecnológica digital no mercado de trabalho
Enviada em 25/11/2020
A Revolução Tecnológica Digital, marcada pela convergência de tecnologias digitais e físicas, não só revolucionou a prática de manufatura, como também a forma que o homem interage e trabalha. Nesse sentido, tal conjuntura impacta o mercado de trabalho, pois o desemprego estrutural e a grande demanda por eficiência nos sistemas produtivos torna a sociedade submissa à influência tecnológica. Com efeito, verifica-se a necessidade de promover estratégias para amenizar as consequências negativas da integração entre o trabalho e a tecnologia.
A princípio, convém ressaltar que o uso excessivo de máquinas empecilha o pragmatismo a respeito da resolução do desemprego estrutural. De fato, desde a Primeira Revolução Industrial, no século XVIII, o uso de máquinas facilita as cadeias produtivas e a ação humana. Entretanto, hoje, nota-se que robôs podem realizar determinados serviços com maior eficiência do que os humanos, tornando certos empregos obsoletos. Nessa lógica, a tecnologia substitui a mão de obra humana, uma vez que máquinas automatizadas operam mediante a programação remota de seu sistema. Em suma, há o desemprego estrutural, alicerçado não na escassez de oportunidades, mas sim na extinção de profissões.
Outrossim, evidencia-se que a imersão das relações sociais no meio digital, necessita que os trabalhadores sejam cada mais rápidos e eficazes. Nesse viés, na obra “Sociedade do Cansaço”, o filósofo sul-coreano Byung Chul Han afirma que passamos de uma sociedade repressiva, em que os indivíduos eram constantemente vigiados e punidos, para uma sociedade do desempenho. Com base nisso, o sujeito contemporâneo, torna-se ele mesmo seu feitor e cobra de si a máxima eficiência em cada uma de suas ações. Logo, para o sistema produtivo essa forma de ver o mundo e a si mesmo, é extremamente vantajosa, já que aumenta a produtividade da empresa, no entanto, traz consigo a frustração.
Dessa maneira, é possível concluir que as inovações tecnológicas digitais causam entraves no mercado de trabalho que precisam ser revertidos. Convém, portanto, que o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, instância máxima da administração de aspectos tecnológicos do Brasil, por meio de parcerias com a iniciativa privada, oferecer cursos técnicos relacionados à automação e programação de máquinas às pessoas que foram substituídas por robôs, com vistas de combater o desemprego estrutural. Ademais, cabe as empresas modificar a lógica do desempenho, aplicando alternativas propostas pelo corpo produtivo que visem a eficiência, porém sem esforço excessivo.. Assim, haverá a busca pelo progresso tecnológico e pelo bem-estar humano.