Impactos da revolução tecnológica digital no mercado de trabalho
Enviada em 25/11/2020
“A tecnologia mudou tudo, menos a nossa maneira de pensar”. Albert Einstein físico alemão estabelece a intrínseca relação entre a tecnologia e o desenvolvimento humano. No entanto, no que tange ao mercado de trabalho no Brasil quando mal utilizadas promovem consequências, muitas delas, negativas ao operariado. Nesse sentido, é indubitável a necessidade de se transformar essa mentalidade que sobrepõe o aprimoramento econômico e se responsabiliza pelo aumento do desemprego estrutural e síndrome de burnout.
Constata-se, a princípio, que a histórica substituição do trabalho manual ocorreu por meio de uma gradativa transformação na estrutura laboral. Entre os séculos XV e XVIII o avanço de produtos manufaturados na Europa ganhava espaço e atrelado à isso a valorização do trabalho civil. Entretanto, após o surgimento de máquina à vapor e a indústria como forma produtiva, a alteração nesse ambiente favoreceu o desemprego estrutural que, constantemente, substituí a mão de obra humana por maquinários. Por conseguinte, embora a lógica capitalista induza as grande corporações a aderir ao avanço tecnológico devido ao baixo custo, o desemprego em massa promovido por essa filosofia desestabiliza o princípio básico de dignidade: o direito ao trabalho como consta no artigo 6 da constituição.
Ademais, a crescente pressão estabelecida pela dinâmica de mercado estimula o desenvolvimento de doenças psicossociais que em casos extremos são responsáveis pelo aumento de casos de síndrome de burnout e crises de pânico. Segundo dados da ANAMT(Associação nacional de medicina do trabalho), 30% dos trabalhadores urbanos já apresentam algum distúrbio gerado pelo excesso de cobranças no trabalho. Desse modo, a tecnologia apesar de ser capaz de instituir facilidades no meio laboral, também aumenta o número de exigências nesse ambiente, pois, a constante adaptação é fundamental para manter um trabalhador atualizado sobre as novas tecnologias que, a todo momento, são transformadas. Em suma, patologias mentais como a depressão e a ansiedade são frutos de uma ausência de gestão que prioriza o rendimento e que, simultaneamente, esquece a humanidade.
Assim, a mudança na maneira de pensar com uso consciente de tecnologias é o primeiro passo no combate à essa problemática. Portanto, é importante a intervenção do Estado, por intermédio do Poder Legislativo, estabelecer delimitações tecnológicas com restrições de quantidade, qualidade de maquinários e, além disso, seu valor numérico seja resultado de uma alíquota dos trabalhadores a fim de inviabilizar o desemprego estrutural e, ao mesmo tempo, garantir uma maior qualidade no ambiente de trabalho.