Impactos da revolução tecnológica digital no mercado de trabalho
Enviada em 16/12/2020
Na obra cinematográfica “Tempos Modernos”, estreado em 1936, o pesonagem lida com as mudanças nas fábricas após a automação industrial, a qual posteriormente o leva ao desemprego. Análogo a isso, a revolução tecnológica em indústrias e no setor de serviços trouxe impactos negativos para trabalhadores sem aperfeçoamento e é acentuado pelas dificuldades enfrentadas por esses profissionais para conquistar a especialização exigida pelas novas demandas técnicas do mercado de trabalho. Além disso, o desemprego estrutural - resultante da substituição do homem pela máquina - é um problema latente que intensifica ainda mais as desigualdades existentes no país.
Em primeiro plano, no contexto do século XIX, com II Revolução Industrial e o demasiado emprego de máquinas na produção fabril, muitos indivíduos que migraram da zona rural para os centros urbanos em busca de emprego, agora estavam obsoletos, já que a automação era mais produtiva e menos custosa. Assim, paralelo ao fato histórico, no Brasil a iserção de tecnologia nas indústrias trouxe a exigência da mão de obra especializada, o que impede que muitos cidadãos tenham acesso ao emprego e os conduz à informalidade, sem contar com o amparo estatal. Dessa forma, a “obsolecência” desses empregados - decorrentes da falta de especialidade técnica no mercado de trabaho - fortalece uma sociedades desigual que marginaliza muitos indivíduos e traz consequências danosas para o país.
Ademais, é importante citar que a Revolução Tecnológica ocorrida no setor trabalhista trouxe a demanda por profissionais especializados, e no Brasil o acesso a educação técnica e superior ainda é restrita a cerca de 30% dos jovens em idade de estudos, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Tendo isso em vista, a baixa oferta de vagas em centros de ensino superior e a exclusão de muitos jovens das salas de aula por falta de recursos coloca empecilhos para se alcançar o aperfeiçoamento de profissionais. Sendo assim, o mercado ocupacional trabalhista do contexto pós revolução científica e tecnológica, convive com a intensificação do desemprego por falta de preparo acadêmico, em consequência da ineficiência do Estado em garantir um direito básico da população: a educação.
Desse modo, é imprescindível que o poder público aumente a oferta de cursos superiores e técnicos para jovens de baixa renda e estudantes de escolas públicas. E por meio da parceria com indústrias que necessitam de mão de obra especializada, vão oferecer melhores condições de infraestrutura para essas instituições de educação em troca de subsídios fiscais e isenção de impostos, a fim de aumentar o acesso de jovens menos abastados ao ensino profissionalizante e amenizar os impactos das desigualdades sociais existentes no Brasil.