Impactos da revolução tecnológica digital no mercado de trabalho
Enviada em 04/04/2021
Do surgimento da máquina à vapor até as mais avançadas automatizacões: esse tem sido o trajeto percorrido ao longo dos últimos três séculos. A Revolução Industrial do século XVIII causou profundas transformações nas estruturas de trabalho e hoje, no século XXI, de forma semelhante, a Revolução Tecnológica tem feito o mesmo. Ambas fazem com que o nível da produtividade aumente em função do tempo mas, enquanto a primeira gerou inúmeros novos trabalhos, a segunda tem feito o oposto, exigindo alta qualificação e até mesmo levando algumas profissões ao desaparecimento.
Já não é novidade que o trabalho operacional humano tem sido trocado pela robotização nas indústrias mas, recentemente - especialmente após a virada do milênio e da pandemia da COVID-19 -, serviços também têm sido intensivamente substituídos por automatizações de diversos tipos, como por exemplo os serviços administrativos e financeiros. Até mesmo professores têm sido repostos por aulas gravadas. O problema, nesse caso, é que ao contrário da Revolução Industrial, a Inteligência Artificial tem ceifado diversos trabalhos sem realocá-los em novas tarefas. Muitas marcham rumo ao dia em que não mais verão a luz do sol e sim, apenas os livros de história e museus.
A medida que ocorrem tais substituições, exige-se do profissional uma alta qualificação para desempenhar atividades que não podem ser automatizadas e/ou robotizadas - ou até mesmo para criar novas automatizações e/ou inovações. Além disso, quem perde o emprego, por não ser suficientemente qualificado, pode acabar entrando no mercado de trabalho informal, contribuindo para o sucateamento das relações de trabalho. O resultado disso, como apontado pelo sociólogo Bauman em sua série de livros sobre a liquidez contemporânea, é o afrouxamento dos vínculos, sendo nesse caso, dos empregatícios.
No filme “Suprema”, o personagem de Martin Ginsburg cita que a lei é um trabalho em progresso e que nunca estará pronta. Deste modo, tendo em vista o exposto anteriormente e a fim de evitar a uberização, ou seja, o detrimento dos direitos trabalhistas, é necessário que o Poder Legislativo desenvolva novas leis sobre o tema - que regulamentem o trabalho informal - e as implementem através do Diário Oficial da União. Ademais, no que tange a qualificação do profissional e seu desenvolvimento, seria interessante que empresas privadas destinassem uma fatia dos lucros provenientes das automatizações - que antes eram gastos com salários - para a promoção de cursos que habilitem o empregado a atingir as expectativas do empregador.