Impactos da revolução tecnológica digital no mercado de trabalho

Enviada em 06/04/2021

Nas últimas décadas do século XX, com o desenvolver do setor científico e a conseguinte criação da tecnologia digital, ocorreu um aumento exponencial na inovação do âmbito laboral, introduzindo uma dinâmica que integra indivíduos e máquinas. Em contrapartida, no Brasil contemporâneo, esse panorama de progresso não se instalou isento de desafios, visto que essa revolução acometeu negativamente o mercado de trabalho. Dessa forma, torna-se imprescindível explicitar os impactos dessa crise: o aumento do desemprego e a superficialidade na prestação de serviços.

Diante desse cenário, é lícito postular que a empregação exacerbada de mecanismos digitais no setor produtivo desencadeou a substituição da força de trabalho humana, gerando população desempregada. Nesse sentido, cabe frisar o ocorrido após a Revolução Agrária brasileira, na qual, com o objetivo de produtividade máxima, os latifundiários inseriram maquinários em todos os setores da produção. Assim, como consequência de tal novo método que ocupava todos os postos, os trabalhadores rurais acabaram sem oportunidade de meio remunerativo. Desse modo, como comprovado pelo evento supracitado, a aplicação exacerbada de aparatos tecnológicos tem repercussão direta na vida do trabalhador brasileiro e gera um infeliz déficit empregativo.

Ressalta-se, além disso, que o uso de meios digitalizados no exercício trabalhista fragmenta o contato humano, tendo em vista a frieza observada nessa prática. Sob tal ótica, isso pode ser observado na tentativa empresarial de uso de personalidades criadas pela inteligência artificial para atendimento ao cliente, como a BIA, criada pelo Banco do Bradesco. Entretanto, apesar da elevada semelhança com a postura dos humanos, essa alternativa perpetua fria em comparação ao tratamento que pessoas reais podem oferecer, prejudicando as relações da indústria com sua clientela. Logo, percebe-se que essa aplicação da ciência gera uma fragilidade nos relacionamentos na sociedade.

Depreende-se, portanto, a urgência de medidas para resolução da problemática. É mister que o ramo industrial, por meio de um acordo firmado entre seus representantes de maior alcance, comprometa-se em apresentar uma parcela mínima de empregados em suas operações, assim como em seus auxílios ao público. Ademais, devem apresentar um órgão consultador da opnião dos indivíduos que desfrutam de seus serviços e das famílias beneficiadas com cargos em suas fábricas, para que se obtenham avaliações semestrais quanto ao cumprimento da ação mencionada. Então, prever-se-á que episódios como o ocorrido nos campos do território nacional em 1960 não voltem a advir.