Impactos da revolução tecnológica digital no mercado de trabalho

Enviada em 05/05/2021

O sociólogo estadunidense David Harvey, em sua obra “Condição pós-moderna”, discute as novas formas de flexibilização do trabalho, advindas da automação, que consequentemente findaram na eliminação de muitos cargos manuais ou menos específicos do mercado profissional contemporâneo. Desse modo, se iniciou um movimento de hierarquização das profissões por exclusão, condicionado majoritariamente a fatores externos ao indivíduo, associados as suas circunstâncias educacionais e sociais. Visto isso, faz-se crucial compreender de que maneira ocorreu tal metamorfose do mercado de trabalho e como seus resultados impactam o cidadão comum.

Em primeiro plano, historicamente sabe-se que a sociedade passou por diversas Revoluções Industriais, sendo a terceira – de início em meados do século 20 - a qual consolidou a infiltração tecnologia nos meios de produção. Foi nesse contexto que grandes avanços científicos ocorreram, e o reflexo dessas novas características fez com que grande parte da economia requeresse operários envolvidos com atividades não manuais, que exigem capacitação contínua. Segundo o filósofo Pierre Lévy, toda tecnologia cria seus excluídos, e de fato, os cidadãos de baixa renda, que não possuem condições para manter uma qualificação atualizada, são mantidos excluídos no que diz respeito ao mercado de trabalho formal.

Ademais, consequentemente diversos profissionais estão sendo obrigados a mudar o rumo de suas carreiras em prol da adaptação ao novo regime. Segundo o relatório “The Future Jobs” do Fórum Econômico Mundial, aproximadamente 5 milhões de postos estão sendo afetados ou até mesmo extintos pela substituição tecnológica. Mais precisamente, um exemplo disso pode ser visto no desenvolvimento das linhas de produção de automóveis, também revolucionado no século 20, onde novas técnicas foram incorporadas, como o Taylorismo e o Fordismo que visavam acelerar os processos de fabricação, mas que atualmente foram substituídas pelas máquinas inteligentes, que montam os produtos sem nem mesmo necessidade de supervisão humana.

Fica evidente, portanto, que os impactos da revolução tecnológica no mercado de trabalho geraram empecilhos que devem ser solucionados. Visto isso, urge que os Ministérios do Trabalho e Educação garantam a população oportunidades de capacitação técnica, por intermédio de políticas públicas que financiem aulas gratuitas de construção profissional e atualização de carreira, a fim de que os indivíduos não sejam tomados pela obsolescência, estimulando, assim, o desenvolvimento econômico do país juntamente a estabilidade financeira dos cidadãos. Dessa forma será possível que a evolução tecnológica caminhe paralelamente aos direitos humanos de trabalho.