Impactos da revolução tecnológica digital no mercado de trabalho

Enviada em 22/07/2021

Em ‘Detroit: Become Human’, jogo de videogame lançado em 2018, os androides (robôs com características humanóides) estão cada vez mais presentes no dia a dia da humanidade. Seja para cuidar de crianças e idosos ou para trabalhar em fábricas e lojas, esses seres construídos pela empresa Cyberlife são extremamente rejeitados por alguns humanos durante toda a narrativa, que explicitam suas insatisfações com o fato de que os autômatos estão “tomando o lugar e os empregos deles”. Apesar da ideia desse tipo de realidade ser ainda um pouco distante, vemos, com a dada globalização exponencial, a crescente implementação de novas tecnologias cada vez mais abrangentes no mercado de trabalho, o que nos traz um panorama de aumento do desemprego e necessidade de maior qualificação e especialização dos trabalhadores.

Em primeira análise, é importante pontuar que cada vez mais funções têm sido automatizadas dentro das empresas. Sem dúvida alguma, o setor mais influenciado pelas inovações tecnológicas é a indústria, que aumenta cada vez mais o número de robôs e máquinas em suas linhas de produção, o que leva à uma menor necessidade de mão de obra humana. Segundo dados de 2021 recolhidos pela Consultoria McKinsey, ao longo da próxima década, mais de 100 milhões dos trabalhadores industriais terão que mudar de ocupação no mundo. Essa conjuntura é séria e preocupante pois causa graves consequências para os países, que terão que desenvolver políticas que diminuam esse impacto.

Consoante à tal desdobramento, entende-se que, para que um profissional permaneça trabalhando na sua empresa ou área, é necessário um nível cada vez maior de qualificação e uma constante atualização de conhecimentos e métodos, o que nem sempre é fácil ou acessível para todos. O estudo “A Revolução das Competências”, apresentado no Fórum Econômico de Davos de 2017 pela ManpowerGroup, demonstrou que, para a maioria das empresas da maioria dos países, é essencial que as pessoas se desenvolvam cada vez mais e que aprendam a lidar com os avanços da melhor maneira para que sejam inseridas ou mantidas na dinâmica do trabalho.

Dessa forma, faz-se necessária a maior integração da tecnologia na educação, dos anos iniciais da escola até o ensino superior, visando a maior e melhor qualificação dos indivíduos. Sob tal perspectiva, o Governo Federal deve destinar verbas e estrutura, por meio do Ministério da Educação, para que as instituições de ensino público brasileiras insiram disciplinas como informática, robótica e programação nas grades dos alunos, além de disponibilizar computadores, tablets e espaços para oficinas. Além disso, é importante gerar incentivos para o desenvolvimento de polos técnico-científico-informacionais dentro do território nacional, afim gerar mais oportunidades de trabalho para a população.