Impactos da revolução tecnológica digital no mercado de trabalho
Enviada em 17/09/2021
O jogo eletrônico “Detroit: Became Human” conta a história de um mundo tomado pela tecnologia digital. Em uma das primeiras cenas do jogo, um homem sentado na calçada com uma placa escrito: “Ajuda, os robôs tomaram meu emprego” chama atenção e evidencia a problemática da revolução tecnológica digital no mercado de trabalho. Sob esse viés, faz-se necessário não só observar o desemprego, mas também a intensificação da desigualdade social como impactos trazidos pela situação supracitada.
Nessa linha de raciocínio, urge analisar o desemprego como um dos principais impactos da revolução tecnológica digital. Conforme assegura a Constituição Federal de 1988, é inerente ao cidadão brasileiro o direito ao trabalho, no entanto, tal direito não é colocado com ênfase na prática quando se discute o problema em questão. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo iluminista John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre com a sua função de garantir que os indivíduos desfrutem de seus direitos individuais. Nesse sentido, percebe-se que o governo falha com a população ao trazer, com o mundo globalizado, a tecnologia, mas não lhes garantir acesso a empregos, já que esses agora precisam ser especializados. Assim, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.
Paralelamente, vale ressaltar que a desigualdade social é um entrave que impossibilita a resolução do imbróglio. Consoante Adam Smith, filósofo e economista britânico: “Onde há grande propriedade, há grande desigualdade. Para um muito rico, há no mínimo quinhentos pobres, e a riqueza de poucos presume da indigência de muitos”. Tal afirmativa fica clara quando se nota que com a tecnologia tomando conta do mundo, quem tem afinidade com a mesma acaba tendo mais facilidade no campo trabalhista, já quem não possui tais conhecimentos acabam ficando excluídos, trazendo, desse modo, uma intensificação da desigualdade no país. Assim, entende-se essa questão como uma problemática cuja resolução deve ser de imediato.
Em virtude dos fatos mencionados, é imperioso que medidas sejam tomadas para que essa conjuntura não continue a perdurar. É imprescindível, portanto, que o Estado, na condição de garantidor dos direitos individuais, crie, por intermédio de parcerias público-privadas com empresas educacionais, cursos profissionalizantes gratuitos que introduzem o corpo civil no âmbito tecnológico, tendo como finalidade a diminuição dos casos de desemprego e, consequentemente, a discrepância entre classes, abdicando o problema. Somente assim seria possível alcançar uma sociedade distinta do jogo Detroit.