Impactos da revolução tecnológica digital no mercado de trabalho

Enviada em 03/09/2021

Ao afirmar, em sua célebre canção “O tempo não para”, o poeta Cazuza faz, de certo modo, uma comparação entre o futuro e o passado. De fato, ele estava certo, pois o desemprego não é um problema exclusivamente atual, uma vez que acontece desde a Revolução industrial, século XVIII. Desse modo, na contemporaneidade, as dificuldades ainda persistem, seja pela falta de profissionais qualificados para atender as demandas, seja pela substituição da mão de obra em diversos setores.

Sob essa perspectiva, convém ressaltar que a ausência de trabalhadores aptos esta entre as principais consequências da renovação técnica nos negócios. Segundo Zygmunt Bowman, “vivemos num mundo fluido”, por isso é necessário adaptarmo-nos à lógica dinâmica da mudança de paradigmas no que diz respeito à relação entre o progresso tecnológico e o ambiente de trabalho. De maneira análoga, essa mobilidade facilita a necessidade de mudanças constantes para atender às novas demandas, o que fica evidente na quantidade de novos cursos oferecidos pelas universidades brasileiras. Dessa forma, é inaceitável que, em pleno século XXI, há o descompasso entre a qualificação profissional e a procura de empregos.

Paralelo a isso, é imprescindível notar que a modificação dos trabalhos de muitas pessoas por máquinas como mais um dos fatores que agrava o impasse. Nesse contexto, a falta de investimento do governo em treinamento levou à segregação das vagas de cargos, que às vezes se concentram nos grupos de renda mais alta que se qualificam. Um exemplo disso é o impacto da Revolução Verde, onde o nível de serviço formal diminuiu devido à mecanização rural. Sob esse viés, Isso também exacerbou o processo de corte estrutural, este fato é contrário aos ideais hobbesianos de que o estado deve promover o equilíbrio social. Dessarte, é indispensável uma ação do Estado para mudar essa realidade.

Infere-se, portanto, que são necessárias medidas capazes de mitigar esse quadro alarmante. Para tanto, o Congresso Nacional, mediante o aumento do percentual de investimento, direcione capital que, por intermédio da inversão em instituições de educação profissional, proporcionando cursos técnicos e profissionalizantes, a fim de preparar o corpo social para o comércio. Outrossim, uma aliança público-privada deve ser estabelecida para criar novas oportunidades de ofício e, com a finalidade de reduzir a destituição. Assim, mitigar-se-á os Impactos da revolução tecnológica digital no mercado de trabalho.