Impactos da revolução tecnológica digital no mercado de trabalho

Enviada em 10/10/2021

De acordo com o filósofo polonês Zygmunt Bauman, vive-se a era da modernidade líquida, na qual tudo é fluido e as estruturas mudam facilmente. Tal pensamento pode ser relacionado ao advento da tecnologia, capaz de afetar diversos âmbitos sociais. Nesse viés, a revolução tecnológica e digital no mercado de trabalho trouxe impactos, como a modernização dos modos de produção, não obstante o aumento do desemprego estrutural. Desse modo, é precípuo o estabelecimento de estratégias para mitigar os efeitos negativos do avanço tecnocientífico.

Em uma primeira análise, é fato a melhoria dos processos operacionais com a revolução tecnocientífica. Nesse contexto, cumpre citar um episódio da série “Black Mirror”, no qual é retratado como a tecnologia afeta a vida dos trabalhadores e influencia a sua produtividade. Fora da ficção, é perceptível como os meios digitais podem interferir no modo de trabalho, a partir do aumento do desempenho. Nessa perspectiva, os aparatos tecnológicos tendem a desburocratizar os meios de produção, ao facilitar e agilizar os processos, por meio da automação e do aperfeiçoamento dos recursos comunicacionais. Posto isso, em razão desse aprimoramento operacional, o avanço tecnocientífico possui grande potencial para aumentar as vendas e o faturamento de empresas, além de permitir transformações e melhorias no “modus operandi” das organizações, a partir do aperfeiçoamento da qualidade dos serviços prestados.

Em contrapartida, a substituição de seres humanos por máquinas também é um resultado dos avanços tecnológicos. Sob esse prisma, consoante o pensamento do sociólogo Émile Durkheim, a coesão e a normalidade não são asseguradas quando as instituições sociais não cumprem seus papéis. A partir dessa premissa, é perceptível que as organizações não se planejaram para qualificar a sua mão de obra de modo a atender às demandas do advento tecnológico. Nesse viés, sem uma qualificação adequada para dominar as novas técnicas e processos de produção muitos trabalhadores podem perder seus empregos para as máquinas que serão impostas. Dessa forma, devido ao domínio da tecnologia o servidor necessita de uma formação especializada tecnocientífica.

Depreende-se, portanto, que a revolução no modo de produção não impede o desemprego estrutural. Assim, é essencial que o Ministério do Trabalho e Previdência realize cursos em escolas públicas, por meio de aulas práticas, no período noturno, com profissionais especializados em tecnologia para que os trabalhadores entendam o manuseio das máquinas, com o intuito de diminuir os índices de desemprego estrutural.