Impactos da revolução tecnológica digital no mercado de trabalho
Enviada em 12/11/2021
O toyotismo - modo de produção industrial que preconiza a flexibilidade e a automação - surgiu após a Revolução Técnico-Científico-Informacional, dado o advento da globalização dos equipamentos eletrônicos na sociedade. Essas novidades, contudo, impactaram diretamente e negativamente a configuração do contexto trabalhista no século XXI. Dentre seus efeitos, ressalta-se, sobretudo, a precarização dos serviços e o desemprego.
Em primeira análise, é válido destacar a crescente terceirização do trabalho como um dos desdobramentos sociais do avanço tecnológico. Conforme o eminente teórico Karl Marx, os proprietários dos meios produtivos exploram os trabalhadores, visando unicamente ao lucro. Nesse sentido, tal flexibilidade no contexto trabalhista, trazida pelas inovações - como aplicativos de celular que usam do serviço so indivíduo apenas sob demanda - é precarizante, visto que não conta com a regulação e a garantia dos direitos dos empregados, caracterizando uma relação exploratória.
Ademais, tem-se a substituição da mão-de-obra como consequência da revolução tecnológica. Durante a Segunda Revolução Industrial, nos séculos XVIII e XIX na Europa, com o aumento da automação das máquinas nas indústrias, a exigência da ocupação dos postos de trabalho diminuiu, acelerando a fabricação de produtos. De maneira análoga a esse retrato histórico, a expansão das mídias eletrônicas e digitais contribuem para a intensificação dessa conjuntura, pois sua dinamicidade e velocidade garantem mais eficiência em menos tempo ao longo do processo produtivo, além de dispensarem remunerações. Assim, aumenta-se o desemprego de trabalhadores menos qualificados, diminuindo sua qualidade de vida e seu poder aquisitivo.
É urgente, portanto, mitigar os efeitos sociais da digitalização no mercado de trabalho, principalmente nos meios legais e educacionais. Para isso, o Ministério do Trabalho - órgão governamental responsável pelas diretrizes de apoio aos trabalhadores brasileiros -, em colaboração com o poder Legislativo, devem regulamentar a contratação de empregados terceirizados pelas empresas, mediante a criação e efetivação de leis de proteção direcionadas a esses funcionários, além da formação de canais digitais de denúncia de indústrias que não cumpram tais normas, a fim de asseverar seus direitos como trabalhadores e possibilitar a convivência harmônica entre tecnologia e a humanidade. Outrossim, o Governo Federal precisa disponibilizar cursos de capacitação gratuitos para lidar com a crescente tecnologia no contexto laboral, com o objetivo de assegurar a qualificação e minimizar a perda de empregos.