Impactos da revolução tecnológica digital no mercado de trabalho

Enviada em 17/11/2021

O sociólogo Émile Durkheim define o conceito de “fato social” como uma estrutura coletiva que determina o comportamento da sociedade. Desse modo, a tecnologia configura um fato social, na medida em que ela impacta o mercado de trabalho devido, principalmente, ao atraso educacional diante das mudanças ocorridas e ao aumento da desigualdade social para aqueles que não se adaptam a elas.

Nessa perspectiva, os avanços tecnológicos impulsionaram novos tipos de serviços e, ao mesmo tempo, alavancaram a produtividade dos setores tradicionais. Com isso, são requeridos trabalhadores cada vez mais dinâmicos (com diferentes habilidades) e flexíveis (facilmente adaptáveis). Entretanto, essa transformação mercadológica não foi acompanhada por mudanças no sistema de ensino, que ainda é essencialmente expositivo e pouco influencia a criatividade e a criticidade. Consoante ao filósofo Immanuel Kant, o homem é aquilo que a educação faz dele. Diante disso, a ausência de uma educação condizente com essa nova realidade não forma cidadãos preparados para enfrentar o mercado de trabalho moderno e impacta negativamente a comunidade, uma vez que a formação de mão de obra de qualidade é necessária para o progresso socioeconômico coletivo.

Paralelo a isso, outra consequência dessa revolução no trabalho é o aumento das disparidades econômicas entre os que se adequam ao novo sistema de mercado e os que não possuem os meios de se remodelar, haja vista que, no Brasil, o acesso acesso à formação gratuita de qualidade é restrito. Consequentemente, a baixa escolaridade e a pouca afinidade com ferramentas digitais (escolas públicas não possuem educação tecnológica) ocasionam uma precarização dos trabalhos para aqueles sem formação, em decorrência da desvalorização do trabalho manual. Conforme o filósofo inglês John Locke, em sua teoria contratualista, o homem abdica das suas liberdades para o Estado, enquanto este tem a incumbência de garantir os direitos fundamentais. Portanto, o não investimento na formação desse novo tipo de profissional configura um descumprimento do papel estatal, posto que marginaliza uma parcela de civis à condição de privação de direitos (educação, trabalho) e de acesso a serviços.

Logo, nota-se a necessidade de diminuir esses impactos negativos no trabalho. Por conseguinte, urge que o Ministério da Educação, por meio de reforma na base curricular, adapte o ensino ao novo modelo de mercado, com a inserção de disciplinas que desenvolvam a lógica e a criatividade, fazendo uso de projetos e aulas práticas, a fim de formar alunos de acordo com esse novo molde. Ademais, é fundamental que o governo, por intermédio de parcerias entre público e privado, invista em programas sociais que levem formação digital à população em geral, com cursos abertos à comunidade ofertados em escolas públicas, com o intuito de oferecer novas oportunidades educacionais e de trabalho.