Impactos da transposição no Rio São Francisco
Enviada em 23/02/2020
A Mesopotâmia - atual Iraque - foi uma porção de terra localizada entre os rios Tigres e Eufrates e, por esse motivo, sofria cheias periódicas. Para a população poder sobreviver, especialistas da época faziam sistemas de irrigações, que auxiliavam no desenvolvimento da agricultura e no abastecimento de água. Essas opções para resolver problemas de secas continuam nos dias atuais, como é o caso da Transposição do Rio São Francisco. O projeto perdura a anos e pode trazer diversos impactos negativos tanto para a fauna e flora local, quanto para a população.
Por conseguinte, o Velho Chico - pseudônimo de São Francisco - nasce na Serra da Canastra, em Minas Gerais e deságua no Atlântico, entre Sergipe e Alagoas. O projeto prevê sanar a deficiência hídrica no semiárido brasileiro com a diminuição da seca no período de estiagem. A vazão do rio, após a transposição, será de um total de 127 m³ por segundo, o que afetará imensamente a vegetação e o habitat das espécies que ali residem. O impacto causará grande desmatamento, que pode acarretar deslizamentos de terras. Também haverá desertificação de algumas áreas, tornando-se impossível restabelecer as especies nativas. Tudo isso interligado a perda da biodiversidade, causando extinção de alguns animais e, consequentemente, o desequilibrado ecológico.
Similarmente, transpositar o rio afeta também na vida da população. Com o projeto executado, pessoas e indústrias são atraídas e acabam por lançar dejetos nas águas, o que não somente polui, mas também ajuda na disseminação de doenças oriundas do contato direto com a água poluída, como hepatite e leptospirose, por exemplo. Além disso, espécies de animais afetadas podem migrar para locais onde se concentra os habitantes, como os mosquitos transmissores de patologias, colocando em risco a saúde dos indivíduos.
Levando os aspectos mencionados em consideração, é cabível que haja uma maior atenção em relação aos impactos que a transposição do Velho Chico pode causar. O Ministério do Meio Ambiente, juntamente com o Governo Federal, deve formular estudos e planejamentos a fim de não degradar intensamente a natureza. Agentes federais podem realizar plantões de monitoramento locais, para punir ou, até mesmo, impedir a continuação de obras irresponsáveis que ultrapassem os limites ambientais. Além disso, deve haver multa às indústrias e aos moradores que depositarem seus lixos no Rio. Dessa maneira, será possível levar água à uma área árida, impactando o mínimo possível na natureza.