Impactos da transposição no Rio São Francisco

Enviada em 22/02/2020

Desde a história pré-literária, os homens inovam com suas descobertas e até hoje, transformam, modificam e alteram o espaço geográfico em todas as escalas, seja ela local, nacional e global. Porém, há algumas destas em que não trazem benefícios, como ocorre com a transposição do Rio São Francisco e seus impactos, uma obra para beneficiar poucos.

Sendo assim, as alterações do regime hídrico devem ser, assim, objeto de compreensão e análise da complexidade e não apenas “imaginar” a água como um recurso isolado. As mudanças de cursos de rios, de captação de águas, têm sido relacionadas apenas à questão do abastecimento e não à complexidade do significado que envolve uma área drenada por um rio e seus afluentes.

Além disso, trata-se, na verdade, de um macro sistema de engenharia, onde o espaço é pensado de forma geométrica e não geográfica, ou seja, calcula-se a vazão para uma possível retirada – 3,5% da vazão total do Rio São Francisco, a capacidade das estações de bombeamento, a extensão dos aquedutos, o diâmetro dos túneis, e pouco, ou nada, se estuda sobre a complexidade sócio-espacial da região, sobre os impactos sociais.

Portanto, para que seja minimizado o problema causado pela transposição do Rio São Francisco, o Ministério do Desenvolvimento Regional juntamente com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento deverão criar e desenvolver o projeto intitulado por “Água para todos”, em que irão realizar poços artesianos em áreas existentes, utilizar tecnologias químicas e físicas, para a retirada de água salgada das margens das praias e fazer a distribuição da mesma para a população que foi prejudicada pela obra ainda inacabada.

E ainda assim, o Ministério da Justiça deverá indenizar as famílias de baixa renda, as quais foram prejudicadas por esta obra, afim de que não aumente os danos já sofridos com a escassez do básico e do atendimento do estado.