Impactos da transposição no Rio São Francisco
Enviada em 07/07/2021
Maior segurança hídrica para as populações carentes de água, surgimento de outras áreas irrigáveis e aumento da oferta de alimentos. Essas são algumas das principais vantagens da transposição das águas do Rio São Francisco. Contudo, os impactos ambientais envolvidos nesse processo são muitos grandes, notadamente pela introdução de espécies exóticas - assim chamadas as que não são originárias de um determinado ecossistema - ou invasoras, o que precisa ser avaliado pelas autoridades.
Inicialmente, cumpre destacar que a introdução de espécies estranhas a um ambiente, constitui uma das principais causas de aparecimentos de doenças em seres humanos. Nesse sentido, estudo da Agência Nacional da Vigilância Sanitária - ANVISA constatou que a cólera chegou ao Brasil por intermédio das chamadas águas de lastro - água colocada em um compartimento de um navio, para lhe dar mais estabilidade quando está vazio - que costumam ser levadas de um porto a outro. Assim sendo, organismos capazes de provocar doenças são carregados e despejados em um local onde a doença não existia. A mesma situação pode ocorrer no casa do transposições, como a do Rio São Francisco.
Além disso, as espécies introduzidas costumam se proliferar por não possuírem predadores naturais, o que aumenta a probabilidade de causarem danos à saúde humana. Nesse ínterim, é salutar trazer à discussão o exemplo do filme “Epidemia”, da Netflix. Nessa trama, um macaco é levado da África para os Estados Unidos, onde não fazia parte da cadeia alimentar de nenhum outro animal. Por essa razão, o bicho sobreviveu e, com ele, um vírus mortal para o homem.
Portanto, é preciso avaliar a possibilidade de as águas do Rio São Francisco estarem carregando essas criaturas para locais distantes. Para tanto, as universidade públicas devem realizar estudos, por meio da criação de centros de pesquisas ecológicas e da contratação de biólogos especializados em ecologia, objetivando analisar a presença de espécies exóticas ao longo dos trechos de transposição. Dessa forma, será possível prevenir o surgimento de doenças ao longo desses locais além de garantir que a obra venha a trazer apenas as consequências benéficas às populações envolvidas, ou seja, o fim da sede e da fome.