Impactos da transposição no Rio São Francisco

Enviada em 19/11/2021

A obra “A Cidade do Sol”, de Tommaso Campanella, retrata uma sociedade ideal, na qual as pessoas utilizavam da razão para governar suas vidas e eram regidas por um Estado perfeito. No entanto, o que se observa na contemporaneidade é o oposto disso, uma vez que os impactos da transposição do Rio São Francisco representam barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de Campanella. A partir dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise da inoperância estatal e da falta de capacidade de fala dos indivíduos, fatores que favorecem esse panorama.

Seguindo esse contexto, convém ressaltar a negligência governamental. A exemplo disso, segundo o site Brasil Escola, obras de transposição propiciam o desmatamento, aceleram a extinção de espécies, impedem a migração de animais entre ambientes e podem acelerar o processo de desertificação. Dessa forma, o Estado, ao não adotar medidas voltadas ao combate dos percalços que podem ser causados pelas obras, contribui para o surgimento desses problemas. Essa conjuntura, segundo o sociólogo Émile Durkheim, configura-se como um fato social patológico, uma vez que a impostura do Poder Executivo frente a esse quadro impacta, de modo nocivo, o pleno desenvolvimento da sociedade. Esses aspectos, infelizmente, são notórios no país.

Ademais, a incapacidade de fala dos indivíduos atua como impulsionador desse cenário adverso. Para exemplificar essa questão, na política da Grécia Antiga, os moradores tinham a chamada “Isegoria”: a capacidade de falar e argumentar nas Assembleias. Contudo, no modelo político representativo brasileiro, as demandas dos cidadãos nem sempre são atendidas, uma vez que grupos populacionais, como moradores de áreas afetadas pela transposição do Rio São Francisco, não são devidamente representados, o que dificulta a identificação e a atenuação dos malefícios gerados. Logo, é inadmissível que essa realidade continue a perdurar.

Depreende-se, portanto, a necessidade de combater essa realidade insustentável. Para isso, o Executivo, principal responsável pela manipulação do território, por meio da criação de uma força-tarefa especial que atue nas áreas propícias de sofrerem reações indesejadas, deve quantificar e monitorar as espécieis animais, além de entrevistar, periodicamente, os moradores desses espaços, a fim de identificar quaisquer problemas que estejam sendo gerados pela transformação do território e atenuá-los. Assim, será concretizada uma sociedade mais eficiente, retomando o pleno desenvolvimento, uma vez que o Estado atua na reversão da supracitada patologia social, tal como nomeia Durkheim.