Impactos do envelhecimento da população brasileira

Enviada em 04/08/2019

Após a 2° Guerra Mundial, vivenciou-se um grande avanço na medicina a partir do desenvolvimento de vacinas e do maior acesso a medicamentos. Esse cenário propiciou um aumento na expectativa de vida e consequente acréscimo da população idosa. No entanto, com a evolução da pirâmide etária, especialmente no Brasil, novos desafios surgiram e demandam soluções, como a questão previdenciária e a qualidade dos serviços na saúde pública.

Em primeira análise, vale destacar que o envelhecimento populacional interfere no sistema previdenciário. Segundo o Instituo Brasileiro de Geografia e Estatísticas, em 2060, 1 em cada 4 brasileiros terá mais de 65 anos. Nesse sentido, fica evidente que nas próximas décadas haverá uma redução da população jovem na sociedade, o que é um agravante, uma vez que a maior parte das aposentadorias brasileiras seguem o sistema de repartição, no qual os trabalhadores da ativa, contribuem com o sistema e bancam os benefícios dos inativos. Dessa forma, se medidas não forem tomadas, equilibrar as contas da previdência social e ao mesmo tempo garantir o bem-estar da população idosa será um problema para a estabilidade do sistema previdenciário público.

Outrossim, é necessário pontuar que a demanda de idosos é maior do que o número de profissionais capacitados para atendê-los. De acordo com o conselho Federal de Medicina, no Brasil existem apenas 1000 geriatras em atividade, o que representa uma proporção de 26 mil idosos para cada médico da especialidade. Isso ocorre pois, o sistema educacional das faculdades de medicina negligenciam, em suas grades curriculares, seja no ciclo básico ou no internato, as disciplinas voltadas para o envelhecimento. Ademais, a oferta de vagas para pós graduação e residência médica nessa área é escassa e concentrada apenas na região central do Brasil. Logo, os idosos ficam a mercê de um sistema ineficiente que não atende as suas necessidades.

Portanto, medidas devem ser tomadas para solucionar o impasse. Para isso, o Conselho Federal de Medicina, deve tornar obrigatório a inserção da disciplina de geriatria na grade curricular dos cursos de medicina, bem como autorizar a liberação de mais vagas para pós-graduação e residência médica nessa área, a fim de incentivar e aumentar o número de profissionais. Além disso, a Receita Federal deve reduzir os impostos das empresas que contratarem funcionários com idade acima dos 60 anos, de modo a reduzir a pressão sobre o sistema previdenciário e garantir uma maior autonomia financeira à 3° idade.  Assim, será possível minimizar os impactos do envelhecimento no Brasil.