Impactos do envelhecimento da população brasileira
Enviada em 16/08/2019
Sob a ótica de Platão, filósofo do período pós-socrático, “o importante não é só viver, mas viver bem”. Embora ressaltada na idade antiga, faz- se necessário refletir sobre a concepção idealizada pelo racionalista na contemporaneidade. Nessa perspectiva, encaixam-se os desafios para garantir qualidade de vida ao copo social brasileiro, em virtude do envelhecimento populacional. Dessa forma, urge-se analisar maneiras a fim de possibilitar a adaptação coletiva e governamental diante da situação vigente, como forma de minimizar impactos, tanto no âmbito econômico como social.
Em primeira análise, é preciso compreender a transição demográfica a qual o país está passando, fruto do decréscimo da taxa de natalidade, consoante ao aumento da expectativa de vida, uma vez que esses aspectos resultam na diminuição da população economicamente ativa. No entanto, segundo Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, é imprescindível que o individualismo não prevaleça sobre as relações sociais. Assim, percebe-se a necessidade de mudanças coletivas, tendo em vista as dificuldades as quais os idosos são submetidos para enquadrarem-se no mercado de trabalho: se, por um lado, é preciso encontrar empregos em que suas limitações sejam respeitadas; por outro, tendem a enfrentar preconceitos pela modernidade.
Outrossim, o Brasil ainda não está preparado para enfrentar modificações na sua pirâmide etária, já que carece de atendimento básico para atender a demanda de idosos. Primordialmente, a ausência de médicos especializados em geriatria e gerontologia nos hospitais de rede pública comprometem drasticamente os indivíduos. Além dessa problemática, a infraestrutura das cidades prejudica não só a mobilidade, mas também a interação da terceira idade com o seu meio social. Tais fatos são preocupantes, pois, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o número de pessoas mais velhas deverá dobrar nos próximos anos.
Infere-se, portanto, que providências precisam ser tomadas para adaptar-se as consequências do envelhecimento. Dessa maneira, é mister que o Governo Federal institua inciativas para possibilitar a inserção do idoso no mercado laboral, por meio da criação de políticas de reservas de vagas às pessoas mais velhas, em instituições públicas e privadas, com funções que atendam às suas delimitações. Ademais, prefeituras, por intermédio de verbas governamentais, devem implantar adequações estruturais nos centros urbanos e oferecer profissionais geriatras aos cidadãos. Espera-se, com isso, conforme proposto por Platão, garantir aos mais velhos o bem-estar social.